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CGD. Centeno diz que remuneração variável dos administradores pode ir até metade da fixa

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Ministro das Finanças já tinha dito que o novo presidente do Conselho de Administração da Caixa irá ganhar 423 mil euros anuais

O ministro das Finanças afirmou esta terça-feira que a componente variável dos administradores da Caixa Geral de Depósitos (CGD) pode ir "até metade da remuneração fixa" e que este valor será fixado apenas após a avaliação do desempenho.

O ministro das Finanças, Mário Centeno, foi ouvido na comissão parlamentar de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa, a requerimento do PSD para responder a questões sobre a CGD e a execução orçamental relativa a 2016.

Em resposta ao deputado social-democrata António Leitão Amaro, o governante afirmou que "os limites que são praticados [para a remuneração variável] correspondem até metade da remuneração fixa", sublinhando que a "remuneração é fixada após a avaliação do desempenho".

O ministro das Finanças disse que "uma remuneração variável só existe quando o desempenho justifica que seja paga" e defendeu que, se os administradores da CGD receberem esta remuneração variável, "é porque o investimento que os contribuintes fizeram está a ter retorno e é justificado".

Mário Centeno já tinha dito na mesma audição que o novo presidente do Conselho de Administração da Caixa vai ganhar 423 mil euros anuais, que os vogais executivos vão auferir 337 mil euros por ano e que os vogais não executivos vão ganhar 49 mil euros anuais.

Assim, considerando por exemplo o presidente da Caixa, a sua remuneração total pode ir até aos 634 mil euros por ano, o equivalente a 45 mil euros por mês (pagos em 14 vezes): 423 mil euros na componente fixa e até 211 mil euros na componente variável.

O governante explicou que "a política remuneratória dos administradores da Caixa corresponde à mediana no setor em Portugal", uma métrica que, segundo disse, não influencia o mercado "nem no sentido de o inflacionar nem no de [estes salários] estarem fora do mercado".

Mário Centeno defendeu ainda que "a aplicação da regra salarial anterior a estes administradores resultava numa despesa salarial superior", uma afirmação que a deputada centrista Cecília Meireles contrariou.

A parlamentar disse que, em 2015, o presidente executivo da CGD ganhava 223 mil euros por ano, que é quase metade do que o atual presidente executivo vai ganhar, e que os vogais auferiam entre os 154 mil e os 188 mil euros, valores que também ficam abaixo dos 337 mil euros agora em vigor.

A comissão executiva da CGD, cujos membros tomaram posse no dia 31 de agosto para o mandato de 2016 a 2019, é liderada por António Domingues, que ficou responsável, entre outras áreas, pela direção de auditoria interna.

De acordo com a informação disponível no portal online do banco, o conselho de administração da Caixa conta ainda com um vice-presidente não executivo (Emídio Rui Vilar), com seis administradores executivos (Emídio Pinheiro, Henrique Menezes, João Paulo Martins, Paulo da Silva, Pedro Leitão e Tiago Marques) e com três administradores não executivos (Angel Corcóstegui Guraya, Herbert Walter e Pedro Norton de Matos).