Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

O que resta do cenário dos 12 economistas do PS

  • 333

ANTES DE SER GOVERNO. O dia em que 12 economistas do PS entregaram as suas propostas ao então candidato a primeiro-ministro António Costa, em abril de 2015

MARCOS BORGA

Previsões anunciadas em abril de 2015 diziam que o PIB ia crescer 3,1% em 2017, o investimento ia disparar 8,4%, as exportações iam acelerar 6,3% e o emprego 1,9%. Um ano e meio depois, o que resta do cenário rosa que os 12 economistas do PS apresentaram para as eleições legislativas?

Pouco resta do cenário de alternativa macroeconómica apresentado pelos 12 economistas do PS em abril de 2015 no documento “Uma década para Portugal”. Mal chegou ao governo, o PS teve logo de cortar as previsões no Programa de Estabilidade (PE) para 2016-2020 de abril de 2016. Seis meses depois, o OE 2017 enterra de vez as expectativas criadas durante a campanha para as legislativas quanto a um cenário mais rosa de crescimento da economia portuguesa.

O cenário dos 12 economistas estimava que o produto interno bruto pudesse acelerar 2,4% em 2016 e 3,1% em 2017, de modo a criar emprego e reduzir a dívida pública. Segundo o OE 2017, a economia só vai crescer 1,2% em este ano e 1,5% no próximo.

O investimento era o grande motor da economia no cenário dos 12 economistas. A formação bruta de capital fixo podia crescer 7,8% em 2016 e 8,4% em 2017. Pois bem, o OE 2017 diz que o investimento vai cair 0,7% este ano para crescer 3,1% no próximo.

O consumo privado tornava a procura interna ainda mais robusta no cenário dos 12 economistas. Os gastos das famílias iam acelerar 2% em 2016 e 2,9% em 2017. Mas o OE 2017 conta agora que o consumo privado suba 2% este ano e desacelere para 1,5% no próximo.

alberto frias

Com o virar da página da austeridade, o consumo público não precisava de tanta contenção orçamental. Os gastos dos serviços públicos só precisavam de cair 0,4% em 2016 e 0,1% em 2017. Contudo, o OE 2017 mostra que a austeridade sobre o funcionamento dos serviços públicos vai aumentar, já que o consumo público sobe 0,6% este ano e tem de cair 1,2% no próximo.

No plano da procura externa, a troca de bens e serviços com o exterior é hoje bem menor do que o previsto pelos 12 economistas do PS.

Quanto às exportações, o plano era que acelerassem 5,9% em 2016 e 6,3% em 2017. Mas o OE 2017 espera agora que as vendas de bens e serviços ao estrangeiro fiquem nos 3,1% este ano e 4,2% no próximo.

Quanto às importações, o cenário baseado no vigor do investimento e do consumo privado das empresas e famílias portuguesas contava com uma aceleração das compras ao estrangeiro de 6% em 2016 e 6,7% em 2017. Contudo, o OE 2017 estima agora que as importações se fiquem pelos 3,2% este ano e 3,6% no próximo.

alberto frias

A criação de emprego era um dos principais objetivos do exercício proposto pelos 12 economistas do PS. A taxa de emprego podia subir 1,4% em 2016 e 1,9% em 2017. Mas o OE 2017 só conta agora que o emprego suba 0,8% este ano e 1% no próximo.

Convém notar que o exercício apresentado em abril de 2015 se baseava num conjunto de medidas diferentes das que o PS tomou quando chegou ao poder. Mas metade dos 12 economistas que prepararam o cenário rosa estão hoje no governo: os ministros Mário Centeno (Finanças), Vieira da Silva (Segurança Social) e Manuel Caldeira Cabral (Economia), os secretários de Estado João Leão (Orçamento) e Rocha Andrade (Fisco) e o assessor económico do primeiro-ministro, Vítor Escária.

O grupo de trabalho que apresentou o documento de alternativa económica “Uma década para Portugal” contou ainda com a colaboração de Sérgio Ávila, Elisa Ferreira, João Galamba, João Nuno Mendes, Francisca Guedes de Oliveira e Paulo Trigo Pereira.