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Açores a votos: nove maiorias absolutas em 10 eleições

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Rua da Vila de Rabo de Peixe, Ribeira Grande, na ilha de São Miguel

Mário Cruz / LUSA

Os açorianos vão este domingo às urnas para escolher o novo Governo da região autónoma. Para trás ficam dez eleições, desde as primeiras em 1976: 20 anos de governação do PSD, 20 anos do PS. E apenas um Governo sem maioria absoluta

Se há coisa de que os açorianos gostam é de maiorias absolutas. Em dez eleições regionais nos Açores nos últimos 40 anos, houve nove maiorias absolutas. Cinco do PSD, quatro do PS e em 1996 houve um empate no número de deputados eleitos pelos dois partidos. Assim, durante 20 anos, os Açores foram governados pelo PSD, com Mota Amaral à frente do partido e da região, e ao longo dos últimos 20 anos os açorianos passaram a ter os socialistas à frente do governo regional.

A mudança deu-se nas eleições de 1996, quando o PS, com 46% dos votos, ultrapassou pela primeira vez o PSD (41%). A pouca diferença entre os dois partidos fez com que ambos elegessem 24 deputados para a Assembleia Legislativa, algo inédito e que até às últimas eleições de 2012 não voltou a acontecer.

Nesse ano de 1996 foi o socialista Carlos César, que hoje é líder da bancada parlamentar do PS na Assembleia da República, quem assumiu a liderança do partido e do Governo Regional. E nas quatro eleições seguintes os socialistas conseguiram sempre maiorias absolutas.

Nas últimas eleições em 2012, o PS elegeu 31 dos 57 deputados, contra 20 eleitos pelo PSD. Os restantes lugares foram preenchidos pelo CDS (3 deputados), pelo Bloco de Esquerda (1), pelo PCP/PEV (1) e o PPM (1). Vasco Cordeiro, líder do PS-Açores, governou a região desde então.

À semelhança do que tem acontecido em todas as eleições em Portugal, também nas legislativas dos Açores a abstenção foi aumentando nos últimos 40 anos. O nível mais baixo de sempre (23,9%) registou-se em 1980, nas segundas eleições nos Açores.

Nas últimas duas eleições, mais de metade dos eleitores açorianos não votou: nas legislativas de 2012 a abstenção chegou aos 52,1%

Quem são os candidatos?

Nas eleições deste domingo, um dos candidatos é o socialista Vasco Cordeiro, líder do PS-Açores, e que foi o presidente do governo regional nestes últimos quatro anos, desde as eleições de 2012, tendo substituído Carlos César, atual líder da bancada parlamentar socialista. O candidato social-democrata, e líder do PSD-Açores, é Duarte Freitas, que foi deputado no Parlamento Europeu entre 2005 e 2009.

Já pelo CDS/Açores, Ana Afonso é a cabeça de lista por São Miguel, engenheira civil que só pertence ao partido desde o início do ano. Aníbal Pires é o líder da CDU/Açores e cabeça de lista pelo círculo eleitoral de São Miguel.

A cabeça de lista do BE por São Miguel às eleições regionais açorianas é Zuraida Soares. Pelo Livre, o cabeça de lista pelo mesmo círculo é José Azevedo. O PPM e o PAN também apresentaram listas a estas eleições.

Mário Cruz / LUSA

Passos e Costa longe

Os líderes nacionais do PS e do PSD passaram pelos Açores na pré-campanha mas, nestas duas semanas que antecedem as eleições regionais, nem vê-los pelas ilhas. António Costa e Pedro Passos Coelho foram “dispensados” pelos respetivos partidos, mas os próprios também não terão feito particular finca-pé para se envolverem mais do que o estritamente necessário.

Nos antípodas está Assunção Cristas. A presidente do CDS foi dez vezes às ilhas, as últimas três já durante o período oficial de campanha. Estas são as primeiras eleições da sucessora de Paulo Portas — ele próprio assíduo visitante do arquipélago —, que fez questão de um empenho total.

E se o êxito correr a par do fracasso do PSD neste processo eleitoral, tanto melhor: o CDS fica com melhores condições para negociar alianças eleitorais com os sociais-democratas para as autárquicas. Se forem maus, a coisa fia mais fino: os críticos de Cristas (que têm estado silenciosos) não perderão a oportunidade de lhe cobrar o envolvimento (excessivo?) numa campanha eleitoral a 1500 km de distância.

Mário Cruz / LUSA

Estatísticas negras

Indo à realidade dos açorianos, a informação do Instituto Nacional de Estatística (INE) não deixa margem para dúvidas. Os Açores, face ao resto do país, lideram no desemprego, nas condenações por crimes de abuso sexual, no insucesso escolar, no abandono escolar e no analfabetismo, na violência doméstica, na gravidez na adolescência, no consumo de álcool, na pobreza persistente e bate os recordes nacionais de dependência dos Rendimento Social de Inserção,18.292 beneficiários, 8,4% da população (dados de julho de 2016), a mais alta taxa do país (que é de 2%).

Em junho passado, um relatório da OCDE sobre o bem-estar, revela friamente os paradoxos da referida “tragédia açoriana”, comparando-a com outras regiões de países-membros. Numa escala de 1 a 10, os Açores atingem 9,9 pela excelência do seu ambiente sem poluição.

Em matéria de segurança, 9,5, o 6.º lugar entre as sete regiões portuguesas estudadas. O ‘resto’ impressiona... pela negativa. No rendimento anual disponível, o valor é de 3,2; na saúde 2; na habitação, número de quartos por pessoa, 5; emprego 3,6; e, por último, participação cívica (percentagem de votantes em eleições) é 0.

Para a votação deste domingo, são 228.160 os eleitores inscritos para escolher os 57 deputados à Assembleia Legislativa.

Mário Cruz / LUSA