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BE hesita sobre Mortágua em Lisboa

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Mariana Mortágua foi à TVI explicar os contornos do novo imposto sobre o património

tiago miranda

Deputada é a melhor candidata em Lisboa, mas pode ter um efeito colateral na relação de forças com PS e PCP

No espaço público, o debate tem sido feito em torno de um nome: Mariana Mortágua avança, ou não, como cabeça de lista do Bloco de Esquerda em Lisboa nas autárquicas de 2017? A resposta oficial do partido tem sido um ‘nim’, em forma de “a seu tempo se verá”. Porque não há, de facto, decisões, e porque a discussão interna está ainda a ser feita num plano mais amplo, em torno do perfil indicado para essas eleições: deverá o partido manter a estratégia de avançar para a capital com um nome forte a nível nacional (como João Semedo em 2013 ou Luís Fazenda em 2009) ou apostar num quadro local?

A deputada do BE é um dos nomes mais fortes do partido e há indicadores que confirmam que poderia ter um resultado interessante, aproximando-se até de garantir dois vereadores ao Bloco em Lisboa. Mas há também dentro do partido quem levante dúvidas sobre a lógica de apostar em Mortágua para um cargo de vereadora — mesmo que acumulando com o cargo de deputada no Parlamento —, quando tem assumido um papel tão importante no partido durante a vigência da ‘geringonça’.

Essas dúvidas, foram, de resto, assumidas publicamente pela própria coordenadora do BE, Catarina Martins, ainda antes do verão, quando em entrevista ao “DN”, disse que “o Bloco tem muita gente ligada à política do concelho e da autarquia de Lisboa que tem feito um bom trabalho”. Há duas semanas, em entrevista à SIC, respondeu que o partido está “em reflexão” sobre o candidato à capital.

A hesitação em torno da candidatura de Mortágua está, no entanto, a ser alimentada pela outra face da moeda. O BE sabe que não tem atualmente mais nenhuma figura nacional em tão boa posição para conquistar votos na capital e isso seria importante para traduzir em votos a contestação que o BE tem feito à gestão camarária em Lisboa. Mas, mais importante, embora as eleições de 2017 sejam autárquicas, a verdade é que o resultado (a nível nacional e nas principais cidades) pode ter um efeito colateral na relação de forças entre PS, BE e PCP no apoio à atual solução de Governo. E o BE não quer arriscar que uma eventual desproporcionalidade de votos face ao PS provoque desequilíbrios na ‘geringonça’.

O Expresso sabe que se avançar o plano B, ou seja, se a opção do Bloco for por um candidato da estrutura local do partido, um dos mais bem posicionados é o deputado municipal e engenheiro civil Ricardo Robles, apontado como um profundo conhecedor, dentro do Bloco, dos vários dossiês da cidade de Lisboa.

Contactado pelo Expresso, Robles recusou-se a falar sobre a sua possível candidatura ou sequer a comentar se estará, ou não, disponível para ser cabeça de lista do partido nas autárquicas. E remeteu qualquer comentário ou decisão para a mesa nacional do Bloco — órgão que Robles não integra. O Expresso sabe que esse dossiê já começou a ser abordado pela concelhia de Lisboa, que teve esta semana, de resto, uma reunião de balanço sobre o trabalho feito pelo partido na capital ao longo dos últimos quatro anos. Mas a Mesa Nacional só deverá começar a discutir e fechar candidatos no início de novembro.

Além de Robles — que foi eleito diretamente pela primeira vez como deputado municipal em 2013, mas que já tinha desempenhado o cargo, em regime de substituição, nos dois mandatos anteriores da Assembleia Municipal —, o Bloco tem atualmente também como deputados municipais Mariana Mortágua, José Casimiro e Isabel Pires.