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Costa: “Ainda não vimos o diabo nos balcões do SEF a pedir visto de entrada”

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José Carlos Carvalho

Passos Coelho acusa Costa de falhar as previsões de crescimento, de discutir ficção e de não explicar porque é que a economia não cresce. António Costa culpa a conjuntura internacional pelo fraco crescimento, mas invoca a descida do desemprego, a devolução de rendimentos às famílias e o cumprimento das metas do défice como medidas do sucesso do seu Governo

O primeiro-ministro António Costa voltou a acusar esta sexta-feira o líder do PSD, Pedro Passos Coelho, de ter apenas uma perspetiva negativa sobre a evolução do país e de "ver um insucesso sempre que o país tem um sucesso". "O seu sucesso depende do insucesso do país", criticou, durante o debate quinzenal que está a decorrer na Assembleia da República. Mais tarde, Costa invocou mesmo a previsão de Passos sobre a iminente chegada do "diabo" ao país, em setembro, para defender que já estamos em outubro e não há sinal de "ver o diabo nos balcões do SEF a pedir visto de entrada no país".

A acusação foi feita na sequência das perguntas sucessivas de Passos sobre o porquê de a economia estar a crescer menos de 1%, quando o Governo previa que crescesse 1,8% este ano. "Do que é que isso resulta? Se o investimento está a crescer o que tem sido o motor da travagem da economia?", questionou Passos, antes de invocar o facto de o Governo PSD-CDS ter acertado nas previsões de crescimento para o país nos dois últimos Orçamentos e de ter alertado o Governo PS de que as suas previsões eram "demasiado otimistas".

Se o investimento está a crescer o que tem sido o motor da travagem da economia?", questionou Pedro Passos Coelho

Se o investimento está a crescer o que tem sido o motor da travagem da economia?", questionou Pedro Passos Coelho

José Carlos Carvalho

Costa defendeu que "num contexto de menor crescimento da economia global", o crescimento portuguesa "está perfeitamente em linha com as previsões do FMI de revisão em baixa do crescimento das economias desenvolvidas". E invocou a queda do desemprego "para perto de 10%", o "aumento de 7,7% do investimento privado no primeiro semestre" e o facto de o país se preparar para "sair do procedimento de défice excessivo" como méritos do Governo, ao mesmo tempo que conseguiu "devolver rendimentos às famílias". "As suas previsões eram muito boas mas o rendimento das familias estava sempre a diminuir. Agora está sempre a aumentar", respondeu. E recordou que ao contrário do anterior Governo, que apresentou sucessivos orçamentos retificativos ,o atual Governo apresentou apenas um para 2016 e vai apresentar apenas um para 2017.

Perante a ausência de respostas diretas às suas perguntas sobre as razões de o Governo ter falhado as suas previsões de crescimento da economia, Passos Coelho defendeu que "o país não pode acreditar num primeiro-ministro que falseia a realidade".