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Guterres: “O verdadeiro vencedor hoje é a dignidade das Nações Unidas”

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JUSTIN LANE

Num discurso em três línguas, o novo secretário-geral da ONU reconheceu que o mundo enfrenta atualmente “problemas dramáticos”, mas garantiu que assumirá as responsabilidades do novo cargo com “humildade” e “gratidão”. E não deixou de alertar para a necessidade de maior paridade entre os géneros

Perante os representantes dos 193 Estados-membros das Nações Unidas, António Guterres garantiu esta quinta-feira que tem consciência da enorme responsabilidade do novo cargo, que assumirá em janeiro, defendendo que a “dignidade humana deve ser o âmago” do seu trabalho.

“Devo dizer que tenho a noção perfeita dos desafios que a ONU enfrenta, os problemas dramáticos do mundo de hoje em dia só podem exigir uma abordagem com humildade”, declarou António Guterres depois da assembleia-geral do organismo o ter confirmado como o próximo secretário-geral, sucedendo a Ban Ki-moon.

Guterres considerou que não cabe ao líder das Nações Unidas impor as suas opiniões, mas assumir o papel de “mediador honesto” e construtor de pontes para ajudar à resolução de conflitos.

Elogiando a “transparência” do processo de eleição, o antigo primeiro-ministro português reiterou que encara com “gratidão” a sua nomeação por consenso do Conselho de Segurança da ONU. “O verdadeiro vencedor hoje é a dignidade das Nações Unidas”, sustentou.

Referindo-se aos dez anos em que foi Alto-Comissário do mesmo organismo para os Refugiados, Guterres frisou que teve oportunidade de testemunhar o sofrimento e as dificuldades nos campos de refugiados. “O que nos tornou imunes à causa dos desfavorecidos? A dignidade humana deve ser o âmago do meu trabalho e do vosso. Sublinho também a importância da igualdade de género”, destacou.

O antigo primeiro-ministro referiu que teve oportunidade de testemunhar “a violência que eram alvo as mulheres nos conflitos ou a fugir deles, apenas por serem mulheres”, assegurando que a paridade de género constituirá uma das suas prioridades.

E defendeu que as Nações Unidas devem ser um fórum para resolver as tensões e as disputas, abrindo portas a um mundo de paz. “Nos conflitos atuais há apenas derrotados. Ver o povo sírio a sofrer tanto é algo que me parte o coração. (...) A diversidade não deve afastar-nos, mas unir-nos.”

Por último, Guterres elogiou o papel de Ban ki-moon à frente da ONU, exprimindo a sua admiração pela dedicação demonstrada pelo seu antecessor, e prometeu continuar o percurso do dirigente sul-coreano.

“O sonho dos fundadores das Nações Unidas não está preenchido. Muito já foi alcançado, mas ainda temos um longo caminho pela frente. Temos que lutar em conjunto com os povos para os nossos objetivos serem atingíveis”, concluiu.