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Ministro justifica problemas nos transportes com o “desinvestimento” do anterior Governo

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Marcos Borga

Em audição na comissão parlamentar sobre os problemas nos transportes coletivos, Matos Fernandes considera que a “degradação foi de tal maneira forte” que ainda não foi possível invertê-la

O ministro do Ambiente João Pedro Matos Fernandes aponta sobretudo para os problemas deixados pelo Governo anterior para justificar os problemas vividos nos transportes coletivos, acusando o anterior Executivo de um "desinvestimento" nas empresas de transporte, com consequência no número de trabalhadores, nas condições dos meios de transporte e na falta de manutenção das estruturas.

"A degradação foi de tal maneira forte que não se inverte em pouco tempo", justicou o ministro, esta terça-feira, na comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas, na Assembleia da República, onde está a ser ouvido a pedido do PCP.

A sua justificação surge depois de o deputado do CDS Hélder Amaral ter questionado por que razão os problemas se sentem agora e o que é que o Governo já fez desde que entrou em funções, há um ano. "Está há um ano a governar por que não resolveu? Está à espera de quê?" O deputado centrista lembrou ainda que os sindicatos dos transportes não se têm manifestado e que não é o facto de não haver greves que traduz que tudo esteja bem. "Têm os sindicatos amansados", criticou também o deputado social-democrata Paulo Rios de Oliveira.

No mesmo sentido foram as críticas de Carlos Silva, deputado do PSD, afirmando que os "sindicatos estão silenciados" e lembrando que em situações diferentes a CGTP contra "todas as medidas" e "invocaram o interesse dos utentes". " Agora que o serviço público se degrada, a CGTP está sossegada."

"Situação insustentável", diz o PCP

Também o deputado comunista Bruno Dias questionou o ministro sobre o agravamento dos problemas, alertando para a "situação insustentável" que se vive nos transportes públicos, em particular em Lisboa e no Porto. Ainda que aponte o dedo para a situação deixada pelo anterior Governo, o deputado do PCP considera que atualmente, um ano depois do início do atual Governo, "estamos perante uma necessidade incontornável de inversão das anteriores políticas". E acrescenta: "Os problemas estão a agravar-se do ponto de vista operacional."

Em resposta à pergunta, o ministro do Ambiente afirma que o processo de manutenção das carruagens do Metro de Lisboa está atualmente a decorrer e que deverá "estar concluída no final de novembro". Matos Fernandes diz também que a "oferta aumentou quer em Lisboa, quer no Porto, com algum significado nos autocarros", assim como a contratação de motoristas na STCP e na Carris, para além do processo de recrutamento que entretanto foi aberto.

Já sobre a questão da falta de bilhetes, que esgotaram em muitas estações de Metro, o ministro começou por dizer que foi um "azar", motivando duras críticas dos deputados do PSD. "Só hoje está a ser feito o investimento atrasado há anos", justificou Matos Fernandes. O problema, explicou, é a disponibilidade de bilhetes estar dependente de uma só empresa fornecedora. "Desde 2011 que se sabia que se dependia de um só fornecedor", realçou, acrescentando que estão a ser feitos testes para que duas outras empresas possam passar a ser fornecedores alternativos. O ministro avançou ainda alguns dados sobre o Metro de Lisboa, indicando que atualmente 70% dos utilizadores têm um passe, 20% têm um cartão recarregável e 10% adquirem um novo bilhete.

"Apesar das dificuldades, a procura está a subir", argumentou o responsável da pasta do Ambiente, apontando um aumento de 10% no Metro de Lisboa. "Os transportes coletivos terão de ser uma prioridade orçamental em 2017 e nos anos seguintes." As obras em estações de metro como a de Arroios, do Areeiro ou do Colégio Militar, disse o ministro, "estarão certamente inscritas no Orçamento do Estado do próximo ano".

Já no final da audição, em resposta ao deputado do CDS Hélder Amaral, que afirmou ter ficado com a impressão de que o ministro do Ambiente acha que "está tudo bem" com o sector dos transportes, Matos Fernandes reagiu: "Nunca disse que está tudo bem, nem de perto, nem de longe."