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Guterres na ONU: estão todos felizes, mesmo os que pareciam não estar

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marcos borga

Espanha e França não têm dúvidas que ganhou o candidato certo e não poupam elogios ao homem que dizem ter apoiado desde o início. A Alemanha, que estaria mais inclinada para uma outra candidata, agora diz que “António Guterres pode contar plenamente com o apoio alemão”

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

Entre os 15 membros (permanentes e rotativos) que fazem parte do Conselho de Segurança das Nações Unidas, havia países favoráveis, como EUA ou Espanha, países com outras inclinações, como a Alemanha, e países dos quais nunca se percebeu bem a posição, como a Rússia. Surgiram ainda teorias da conspiração por causa da candidata de última hora, Kristalina Georgieva, apoiada pela chanceler alemã, Angela Merkel. Mas agora que António Guterres foi aclamado secretário-geral das Nações Unidas, as declarações são de apreço pelo eleito.

“Regozijo-me com a decisão do Conselho de Segurança de indicar António Guterres como novo secretário-geral das Nações Unidas e gostaria de o felicitar calorosamente - esta é uma excelente escolha", disse em comunicado o ministro Federal das Relações Externas da Alemanha, Frank‑Walter Steinmeier.

E acrescenta: "Tenho a certeza de que ele, com toda a sua experiência e personalidade, estará à altura da grande responsabilidade de encabeçar as Nações Unidas e de lhe conferir uma voz. Num mundo que está fora dos eixos, o papel das Nações Unidas é mais importante do que nunca. António Guterres pode contar plenamente com o apoio alemão".

Diz ainda Steinmeier que conhece e aprecia "António Guterres e o seu trabalho extraordinário e muito empenhado como Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados" e até salienta que nos últimos anos trabalharam "em conjunto de forma estreita e sempre num espírito de confiança". E também que espera que Guterres "possa contar com o amplo apoio da Assembleia Geral e um mandato reforçado para o seu trabalho na liderança das Nações Unidas".

A Rússia - cuja Embaixada em Portugal se escusou a comentar a nomeação - teve uma posição decisiva ao dizer que apoiava Guterres e "isso foi espetacular", comenta ao Expresso fonte da embaixada de Espanha em Portugal. Aliás, Espanha diz mesmo que foi escolhido o candidato que sempre apoiou desde o início.

"É uma grande alegria. Espanha sempre apostou num candidato ibero-americano e sempre apostámos em Guterres desde o início do processo. Houve mesmo um grande esforço de diplomacia entre Portugal e Espanha", disse a mesma fonte da embaixada. Que acrescenta que a aclamação de Guterres aconteceu na altura certa, porque a "transparência do processo estava quase a ser anulada" com a entrada à última da hora da nova candidata Kristalina Goergieva. "Chegou à última da hora, de forma estranha, e na primeira votação teve oito votos contra num total de 15. Além disso, já havia uma candidata da Bulgária e parecia que havia uma intenção duvidosa na nova candidata", acrescentou a mesma fonte.

Para a Embaixada de Espanha, Guterres é o homem certo para liderar a ONU num momento difícil que o mundo atravessa. "Apesar de ser difícil, ele tem força para mudar alguma coisa. É um homem humanista, multilíngue, muito inteligente e conhecedor dos temas das Nações Unidas e dos refugiados, com um trajeto notável."

França concorda. "Em plena crise da Síria, as Nações Unidas precisam de uma personalidade forte que seja capaz de agir e tenha posições assertivas e que não seja o robô que costumam ser os secretários-gerais", disse um conselheiro do presidente da República francês, citado pela France Presse.

Uma posição apoiada pelo embaixador francês na ONU, François Delattre. "Guterres tem capacidades de liderança e a autoridade moral e política para liderar a ONU nestes tempos tão desafiantes" e "é capaz de juntar uma comunidade de nações", diz. "Estamos francamente contentes. Era o nosso candidato", acrescentou ainda o conselheiro do Presidente da República francês. E concluiu: "Apoiámos Guterres desde o início, lutámos pela sua eleição".