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Marcelo pede aos políticos que sejam exemplo de “proximidade” e “princípios”

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O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa

José Caria

Presidente da República deixou vários recados aos responsáveis políticos no discurso do 5 de Outubro. "Há cansaço perante casos a mais de princípios vividos a menos"

Helena Pereira

Helena Pereira

Editora de Política

O Presidente da República centrou o seu discurso do 5 de Outubro num apelo de exigência à classe política. Na praça do Município, em Lisboa, avisou que o poder não é propriedade de ninguém e que as pessoas afastam-se da política porque veem “casos a mais de princípios vividos a menos”.

“Os políticos devem dar o exemplo de proximidade, frugalidade, independência e serviço aos outros”, sublinhou, lembrando que o poder é efémero e que aqueles têm que estar próximos de quem os elegeram.

Os recados aos políticos foram bem vincados. Marcelo lembrou que o poder político “não é herdado”, mas “nasce do voto popular”, e que os eleitos devem, por isso, honrar a confiança que neles é depositada.

“Porque é que tantos desconfiam da política e das instituições?”, interrogou-se o Presidente, para depois dar a resposta. Não é porque a maioria prefere regressar ao regime monárquico ou a uma ditadura, frisou. “A razão de ser da desconfiança e descrença é o cansaço perante casos a mais e princípios a menos”, respondeu.

“Cada vez mais há responsáveis públicos que se deslumbram com o poder, que se acham o centro do mundo, que aparentemente consideram-se eternos e que alimentam clientelas”, criticou.

Para Marcelo, aos olhos dos cidadãos comuns, é a democracia que sofre e o 5 de outubro que “se esvazia”. Por isso, “o exemplo dos que exercem o poder é fundamental”.

Esta foi a primeira vez que Marcelo Rebelo de Sousa discursou num 5 de Outubro e coincidiu com o regresso do feriado neste dia, que comemora a implantação da República - tinha deixado de ser feriado em 2013. Tratou-se de um discurso breve, cerca de oito minutos, em que o Presidente optou por não centrar-se no Orçamento do Estado para 2017, que será entregue na próxima semana, ou na situação financeira do país.