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PSD quer ouvir Centeno no Parlamento sobre execução orçamental e CGD

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Luís Barra

Os sociais-democratas consideram que os dados da execução orçamental divulgados na semana passada e as declarações posteriores de Mário Centeno, bem como a situação da Caixa, exigem a “presença imediata no Parlamento” do ministro das Finanças

O PSD vai requerer a audição urgente do ministro das Finanças na comissão parlamentar de Orçamento, para Mário Centeno explicar os dados da execução orçamental e falar sobre a Caixa Geral de Depósitos (CGD).

Num requerimento ao presidente da comissão de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa que será entregue esta manhã na Assembleia da República, os sociais-democratas consideram que os dados da execução orçamental divulgados na semana passada e as declarações posteriores de Mário Centeno, bem como a situação da Caixa Geral de Depósitos, exigem a "presença imediata no Parlamento" do ministro das Finanças.

Em declarações à Lusa, o deputado do PSD Duarte Pacheco adiante que foram essas questões que "precipitaram o pedido" de audição parlamentar, que deverá ocorrer "no máximo no início da próxima semana", já que não pode esperar pelo processo orçamental.

Recordando que na semana passada foram divulgados resultados da execução orçamental que mostram "uma quebra muito grande na receita fiscal e uma economia estagnada", Duarte Pacheco diz não compreender "a inverdade de todo o tamanho" que Centeno transmitiu sobre esses mesmos números.

"O ministro disse que os dados estavam em linha com o que estava no Orçamento, quer do lado da despesa, quer do lado da receita", lembra, considerando que Mário Centeno tem de explicar "o equívoco e corrigir as suas declarações".

Relativamente à CGD, no requerimento o PSD fala na persistente "clara falta de rumo" sobre o plano de reestruturação – "não se percebendo quando vai ser realizado e qual o seu impacto" – e recorda as recentes declarações do presidente do banco público que referiu que o Governo não deu qualquer indicação à administração para proceder a uma auditoria independente e revelou que considera que tal auditoria não deveria ser da responsabilidade do banco, ao contrário do que determinou o Governo.

"Em junho, o Parlamento discutiu uma proposta do PSD no sentido de ser efetuada uma auditoria externa e independente à CGD, rejeitada pelos partidos da esquerda com o argumento de que o Governo deliberara incumbir a CGD de proceder a uma auditoria idêntica, que incidisse sobre os atos de gestão praticados a partir de 2000 – a qual, soube-se agora, o Governo não deu instruções à administração da CGD para realizar", lê-se no requerimento do PSD.

"Alguém não está a falar a verdade", sublinha Duarte Pacheco, defendendo que o ministro das Finanças tem de explicar "se pediu ou não a auditoria, se se esqueceu ou se mudou de ideias".

No requerimento, os sociais-democratas indicam ainda dois outros temas sobre os quais gostariam de ter esclarecimentos de Mário Centeno: "Os atrasos preocupantes na implementação da Lei de Enquadramento Orçamental e o ponto de situação do profundo reexame da despesa a todos os níveis da administração pública, com que o Governo português se comprometeu junto da Comissão Europeia".

"Esta desorientação e falta de seriedade do Governo exigem, desde já, esclarecimentos cabais que tornam indispensável a audição urgente do ministro das Finanças, independente do processo orçamental que se avizinha", salientam os sociais-democratas no requerimento.