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Marisa Matias e as sanções: Comissão já decidiu e diálogo “é uma enorme farsa”

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Nuno Botelho

Eurodeputada acusa a Comissão Europeia de falar “uma língua estranha” e de querer “sabotar” Portugal e Espanha. Acrescenta também que caso sejam suspensos os fundos estruturais, os comissários ficam na história “como carrascos do projeto europeu” e “símbolos da mediocridade”

Marisa Matias acusou a Comissão Europeia de já ter decidido pela suspensão dos fundos estruturais ainda antes da discussão. Esta segunda-feira, em Estrasburgo, a eurodeputada criticou os comissários, dizendo que teme que “este diálogo não passe de uma enorme farsa”.

“Muito provavelmente estão aqui para comprovar uma tomada de decisão que já esta feita e que representa um crime para o que resta do projeto europeu”, disse Marisa Matias. “Sabem que os portugueses e os espanhóis sofreram na pele as consequências de uma austeridade estúpida durante vários anos. E estão ainda a pagar as consequências dessa austeridade estúpida”, acrescentou.

A eurodeputada defendeu ainda que a Comissão fala “uma língua estranha”, uma vez que diz que a suspensão dos fundos estruturais não são uma sanção. “Muitos de nós não gostamos do trabalho que o senhor faz. Se nós decidirmos suspender o seu salário em metade, entende como um incentivo ou uma sanção?”, perguntou Marisa Matias ao vice-presidente da Comissão Europeia, Jyrki Katainen, responsável pela pasta do Emprego, Crescimento, Investimento e Competitividade.

Marisa Matias acusou ainda a Comissão de querer “sabotar” Portugal e Espanha de forma a colocar ambos “numa situação de fragilidade permanente, que permita impor as escolhas que a democracia rejeitou”. A eurodeputada disse também que se está a castigar dois países no preciso momento em que estes estão a “começar cumprir as regras”.

Caso a suspensão dos fundos estruturais seja aprovada, Marisa Matias diz que os comissários serão os “símbolos da mediocridade” que “trouxeram o projeto europeu a este triste estado”.

“Eu sei que conseguirão sempre um lugar numa Goldman Sachs deste mundo. Mas ficam na história como carrascos do projeto europeu”, concluiu.

A audição pública dos comissários com os eurodeputados da comissão de Assuntos Económicos e a do Desenvolvimento Regional faz parte do 'diálogo estruturado' no âmbito do qual o Parlamento Europeu tem um papel consultivo na decisão de congelamento de fundos.

O Parlamento Europeu (PE) discute com a Comissão Europeia, à margem da sessão plenária e pela primeira vez, a possível suspensão de fundos estruturais a Portugal e Espanha, no chamado 'diálogo estruturado', com caráter consultivo.

No quadro do processo de sanções lançado contra os dois Estados-membros por "falta de ações efetivas" para correção dos respetivos défices, a Comissão acabou por recomendar, a 27 de julho passado, a suspensão de multas a Portugal e Espanha - decisão confirmada a 8 de agosto pelo Conselho Ecofin (ministros das Finanças dos 28) -, mas segue o processo automático de congelamento parcial de fundos.