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Marco António diz que estudo “Desigualdade e Pobreza em Portugal” é um embuste

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Campiso Rocha

Vice-presidente do PSD defende que conclusões do estudo da Fundação Manuel dos Santos são mistificadoras, ao induzir que foram os probres e não os ricos os mais penalizados durante o programa de ajustamento do Governo PSD/CDS

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Marco António Costa diz que o estudo recentemente apresentado sobre “Desigualdade de Rendimentos e Pobreza em Portugal” é “um inaceitável embuste”, ao favorecer uma visão “distorcida da realidade e dos factos ocorridos” 2009 e 2014.

O vice-presidente do PSD denuncia que o estudo foi apresentado de forma mistificadora, em particular o subtítulo do relatório – “As consequências sociais do programa de ajustamento”, ao induzir os cidadãos em erro, dado a análise compreender três anos anteriores ao período de resgate financeiro, de 2009 a 2011, “os de governação do PS e os mais penalizadores para as classes desfavorecidas”, disse o dirigente em conferência de imprensa realizada esta manhã, no Porto.

“Quando os autores colocam o enfoque nas consequências do 'Programa de Ajustamento', voluntariamente encaminham as pessoas para consideraraem que as conclusões do estudo são apenas relativas aos anos de Governo PSD/CDS, entre 2011 e 2014, o que é um claro embuste”, criticou Marco António, afirmando que é preciso desmistificar as análises feitas a partir dos estudo, “em particular as de António Costa no último debate quinzenal, no Parlamento”.

O dirigente social-democrata diz que o esclarecimento desta manhã “não é sexy, mas é sério”, frisando que foi no Governo do Ps que antecedeu o programa de ajustamento que “os pobres foram mais penalizados do que os ricos” e que o Programa de Assistência Económica e Financeira de 2011 a 2014 foi a consequência e resultado concreto das políticas erradas dos socialistas de 2008 a 2009, “que por motivos eleitoralistas tomaram posições que colhiam forte simpatia popular”.

Lembrando que os anos da troika foram dos momentos mais severos da nossa história coletiva, Marco António Costa imputa, contudo, as políticas públicas geradoras de maiores quebras de rendimentos nas classes mais desfavorecidas ao Partido Socialista, em 2010 e 2011, que porcedeu aos cortes de salários da função pública acima dos 1500 euros, congelamento de todas as pensões e cortes nas mais elevadas, redução da duração e cobertura do subsídio de desemprego, redução em 20% da despesa com RSI, eliminação dos abonos de famílias nos escalões mais altos, entre outros cortes.

O vice-presidente do PSD fez ainda questão de relembrar que quem negociou e assinou a assistência financeira foi o Governo socialista, ressalvando que o Governo PSD/CDS “tomou muitas iniciativas para mitigar o impacto da crise junto dos mais carenciados”, com a classe de rendimentos mais elevados “a figurar entre os mais afetados" por medidas de incidência redistribuitva através dos impostos diretos.

Na conferência de Imprensa de “reposição da verdade”, expressão do próprio Marco António, o dirigente da oposição recusou-se a comentar a possibilidade de aumento de 10 euros nas pensões mais baixas, alegando serem afirmações desconexas por parte dos partidos que suportam o atual executivo.

“Verdadeiramente, não conhecemos nada sobre essa proposta. O que sabemos é que nós aumentámos as pensões mínimas em 6,2% no tal período tão difícil e severo entre 2011 e 2014, quando antes o PS as congelou”, rematou Marco António.

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    O estudo “Desigualdade em Portugal: Consequências Sociais do Programa de Ajustamento” foi esta sexta-feira apresentado numa conferência em Lisboa, no ISEG. Falou-se de novos padrões laborais, do aumento da pobreza e da sua intensidade, e de um “efeito equalizador” dos impostos durante os anos da crise. O futuro também fez parte do debate