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Marques Mendes perplexo com o PSD: “Praticamente não tem iniciativa sobre nada”

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O ex-líder social democrata fala ainda do veto de Marcelo ao novo diploma do sigilo bancário, dizendo que só o surpreende a fundamentação para o veto. E mostra supreendido com o bom desempenho da gerigonça, apesar de considerar que o Governo PS é o menos reformista de sempre

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

Luís Marques Mendes está “perplexo” com o desempenho dos sociais-democratas neste primeiro ano de Governo socialista. No seu habitual comentário no "Jornal da Noite" da SIC, considerou que existe um "vazio" de ideias da parte do PSD que "praticamente não tem iniciativa sobre nada".

"O CDS ainda tem alguma iniciativa política. A candidatura de Cristas em Lisboa e algumas iniciativas no Parlamento. Ainda esta semana, uma iniciativa positiva contra os cortes nos fundos europeus", disse. Já o PSD, "é difícil entender", continua, dizendo que não tem tomado qualquer tipo de posição sobre o Orçamento do Estado ou qualquer outra questão, até nas autárquicas.

"Estamos a um ano de eleições e o PSD ainda não tem coligações pré-eleitorais definidas. Nas últimas autárquicas, a um ano de eleições, já havia 60", disse. Além disso, "estamos a um ano de eleições e o PSD ainda não tem candidato em nenhuma grande cidade".

"Isto é relativamente inédito", comentou. "Desde Sá Carneiro, o PSD sempre deu grande atenção ao Poder Local. E então, quando se está na oposição, os líderes sempre se empenharam muito nas autárquicas".

Ou seja, para o ex-líder social democrata, neste momento "praticamente não há oposição. É um certo vazio". E isso é mau, porque dessa forma abre a porta a que o atual Governo se torne "arrogante".

Mas sobre o atual Governo e sobre a gerigonça, que está prestes a fazer um ano em funções, Marques Mendes tem várias notas positivas, mesmo sem uma oposição forte.

"Temos estabilidade governativa e um país como Portugal não pode dar-se ao luxo de andar sempre em eleições como Espanha", referiu. "As questões da banca estão a ser resolvidas", continuou, referindo-se à CGD, BPI, BCP e Banif e dando um recado ao anterior Governo, dizendo que foram resolvidas todas as questões que Passos "adiou".

E por fim, o défice, "talvez o aspecto mais positivo deste ano de gerigonça". "Os dados de Agosto mostram que o défice pode mesmo ficar nos 2,5%", disse.

Contudo, há também aspectos negativos. Um deles é "o clima de incerteza" que faz com que os juros da dívida estejam mais altos para Portugal e que a diferença com Espanha seja agora cinco vezes mais do que era há um ano. Outro, o facto de "ser o Governo menos reformista de sempre. Dá ideia de ser um Governo de navegação".

Mas o mais negativo é mesmo "o baixo crescimento da economia". Aliás, logo no início do comentário na SIC, Marques Mendes referiu-se ao ranking de competitividade do Fórum Económico Mundial onde Portugal baixou oito posições num ano e deu uma sugestão.

"Portugal precisava de ter um novo acordo económico e socila de curto e médio prazo. Um acordo até 2020, centrado na competitividade, no crescimento e na coesão social".

O veto de Marcelo

Sobre o veto do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, ao novo diploma que acaba com o sigilo bancário em contas com 50 mil euros, Marques Mendes diz não ter ficado surpreendido com a decisão mas sim com a fundamentação que levou ao veto. Ou seja, o facto de não ser oportuno neste momnento avançar com essa medida.

"Isto significa que, apesar de discordar profundamente da medida, o Presidente da República não quis afrontar o Governo. Usou a forma mais benigna que é possível num veto político", disse.

Agora, António Costa tem dois caminhos, continuou. Ou "deixa o diploma de lado para já, o que aeria não afrontar o Presidente da República, ou envia-o para a Assembleia, mesmo sabendo que ele não passa porque ainda não entendimento com o PCP, ou seja, tem apenas uma intenção que é afrontar o Presidente da República".

Marques Mendes lembrou, contudo, que este novo diploma pouco traz em relação ao que já existe no que respeita ao combate à evasão fiscal. "A quebra do sigilo bancário já é possível em Portugal há vários anos, sempre que há suspeitas de ilegalidades ou crimes fiscais".

Guterres e uma “golpada” chamada Georgieva

Marques Mendes vê o aparecimento de uma nova candidata a secretária geral das Nações Unidas - agora que já o processo está na recta final e que já se realizaram cinco votações, todas elas ganhas pelo português António Guterres - como uma "golpada" ou uma "manobra".

"Uma golpada da própria candidata, porque as Nações Unidas aprovam um modelo transparente, com debates e audições, e depois vem alguém que não se sujeita a audições, não respeita as regras. E uma golpada de quem a lança, como a Merkel ou o George Soros".

Seja como for, "se Guterres não ganhar - e espero que ele ganhe - nunca será um perdedor, porque já mostrou que é capaz" e que "Portugal é um país pequeno mas não é um país irrelevante. A relevância do país está na qualidade das suas personalidades".