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Forte de Peniche: PCP acusa Governo de “desprezar luta antifascista”

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Marcos Borga

PCP considera “inaceitável” concessão de monumentos a privados. O património não pode ser transformado num negócio, critica

Helena Pereira

Helena Pereira

Editora de Política

O PCP considera "inaceitável" a concessão a privados de 30 monumentos nacionais, considerando que, no caso do Forte de Peniche, isso significa "uma manifestação de desprezo para com a luta antifascista em Portugal" e "um dos mais significativos ataques à memória coletiva dos portugueses".

"Pelo simbolismo que encerra, não podemos deixar de criticar de forma veemente o facto de o governo ter colocado nesta lista a Fortaleza de Peniche, ignorando a importância histórica e cultural de um espaço onde não é possível conciliar a actividade hoteleira e turística com a necessidade de preservar integralmente as suas características prisionais históricas", respondeu o PCP por escrito ao Expresso.

O partido de Jerónimo de Sousa insiste que o que deveria estar a ser discutido neste momento era "a valorização e divulgação do espaço enquanto testemunho da sua função prisional durante o fascismo, designadamente, com a actualização e enriquecimento do projecto de musealização existente, e não a concessão a privados"

"O argumento avançado para concretizar este negócio, de que mais vale concessionar do que deixar cair, não pode vingar, apenas e tão só, representa uma forma de fugir à responsabilidade do Estado face ao património cultural em Portugal, responsabilidade fixada na própria Constituição da República Portuguesa", critica.

O Forte de Peniche serviu de prisão do Estado Novo (entre 1934 e 1974), para onde eram encaminhados os opositores ao regime de Salazar, nomeadamente, militantes do PCP. Em 1960, deu-se a célebre fuga de Peniche protagonizada por Álvaro Cunhal, Jaime Serra e Joaquim Gomes. Hoje em dia, a antiga prisão política pode ser visitada estando preservadas algumas celas tal como existiriam até ao 25 de abril.

"O caminho não pode passar por transformar o património num negócio em que quem lucra são os grupos privados à custa da memória e da história colectiva do nosso país", sublinha.

Alguns dos outros monumentos que serão concessionados são o Castelo de Portalegre, o Castelo de Vila Nova de Cerveira, o Convento de S. Paulo, em Elvas, o Forte de S. Roque, em Lagos, Forte do Guincho, em Cascais, Mosteiro de Arouca, Mosteiro de S. Salvador de Travanca, em Amarante, Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, em Coimbra, Paço Real de Caxias, em Oeiras, Pavilhões do Parque Termal, nas Caldas da Rainha, Quinta do Paço de Valverde, em Évora.