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Política

Governo pede a Espanha reunião de urgência sobre Almaraz

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MARIO GOMEZ / AFP / Getty Images

Ministro do Ambiente desvaloriza situação de risco de segurança, mas garante que a vida da central nuclear espanhola situada junto ao Tejo não será prolongada sem avaliação de impacte ambiental com a participação portuguesa

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

O ministro do Ambiente João Matos Fernandes diz que "já foi solicitada, pelos canais diplomáticos, aos senhores ministros que tutelam a energia e o ambiente no reino de Espanha, uma reunião com carácter de urgência para debater" a eventual construção de um depósito de resíduos nucleares que indicia que Madrid tenciona prolongar a vida da central nuclear de Almaraz, localizada a cerca de 100 quilómetros da fronteira portuguesa.

Na comissão parlamentar de Ambiente, a decorrer esta terça-feira no Parlamento, Matos Fernandes confirmou que também ele não tem dúvidas de que a notícia do parecer positivo do Centro de Segurança Nuclear espanhol à construção de uma nova instalação para depósito de resíduos nucleares "indicia que a central poderia permanecer ativa para além da licença atual". A licença termina em 2020 e a intenção poderá ser prolongar a sua atividade por mais 20 anos.

Mas Matos Fernandes diz que "apesar do absoluto respeito pelas opções de Espanha" irá invocar as diretivas comunitárias e a convenção de Espoo, que salvaguardam os impactos transfronteiriços para lembrar a Madrid que "Portugal tem obrigatoriamente de ser ouvido e participar na decisão" em sede de avaliação de impacte ambiental.

Quanto às informações que têm vindo a público sobe as peças defeituosas usadas nos dois reatores nucleares de Almaraz, o ministro desvaloriza o risco, lembrando que o CSN não recomendou a substituição das peças em causa nem informou Portugal sobre qualquer situação de risco.

A funcionar desde o início da década de 1980, a central está situada junto ao Tejo e faz fronteira com os distritos portugueses de Castelo Branco e Portalegre, sendo Vila Velha de Ródão a primeira povoação portuguesa banhada pelo Tejo depois de o rio entrar em Portugal.