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Proposta de imposto sobre património “foi um enorme tiro no pé”

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“É uma espécie de TSU de António Costa”, disse o comentador da SIC, recordando a proposta de aumento da TSU feita por Passos Coelho em 2012. Marques Mendes avança ainda dados sobre a execução orçamental de agosto e fala de José Sócrates, acreditando ser intenção do ex-primeiro-ministro candidatar-se a Belém daqui a quatro anos

Luís Marques Mendes considera que a ideia do novo imposto sobre o património elevado, que esteve em discussão esta semana, "foi um enorme tiro no pé" e gerou "um grande choque". "Os autores da ideia pensaram que o resultado ia ser um e foi outro", afirmou este domingo, durante o seu habitual comentário na SIC.

"Comparo este imposto com a TSU de Passos Coelho em 2012. É uma espécie de TSU de António Costa." Marques Mendes destaca três pontos em comum: o choque gerado nos eleitores, a existência de um recuo e as "sequelas" que deixam. "Este imposto irá eventualmente por diante, mas apenas porque o Governo não tem coragem para o retirar por completo. Será reduzido ao mínimo dos mínimos", afirmou o comentador, defendendo que houve "um enorme recuo" do Governo.

"Acho que só não abandonaram a ideia apenas com o receio de ficarem mal. Ficam com a fama de irem a reboque do Bloco de Esquerda, de agredirem os investidores, e a receita é residual." Em terceiro lugar, Marques Mendes defende que da mesma forma que em 2012 Passos Coelho perdeu eleitores "que nunca mais recuperou", também António Costa "vai ter desgaste politico, perder eleitores e investidores".

Marques Mendes acredita que a apresentação desta medida, num 'acerto' com o Bloco de Esquerda não significa que o PS esteja a "virar" à esquerda. "Acho que é um caso pontual. Acho que foi uma trapalhada monumental."

"António Costa é um político moderado e é pragmático", sublinhou, acrescentando porém que irá enfrentar mais problemas e "descoordenações", sendo também "vítima da falta de oposição".

Já sobre o Orçamento do Estado, Marques Mendes defende que atualmente há duas posições: nos sectores mais à direita, é defendido um orçamento "de disciplina financeira para continuar o passado", enquanto à esquerda se propõe um orçamento de "coesão e justiça social para continuar a recuperação de rendimentos". O comentador posiciona-se "no meio", defendendo um OE com "rigor financeiro", "coesão social" e "aposta na competitividade, crescimento e investimento".

Execução orçamental, sigilo bancário e Sócrates

Marques Mendes avançou ainda informação sobre os dados da execução orçamental de agosto, que serão conhecidos na próxima segunda-feira. "Do lado da receita, os dados não são famosos. Há uma receita em queda, designadamente no IVA. Do lado da despesa, as notícias são boas com a despesa controladíssima", adiantou.

Outro dos temas desta semana foi a lei que permite o levantamento do sigilo bancário para saldos de valor superior a 50 mil euros. Marques Mendes opõe-se à ideia, lembrando ser uma "imprudência". "Pode ser o criador de um problema sério, de uma fuga aos depósitos que, em vez de estarem em Portugal, vão para fora do país. É um risco de dar cabo da nossa banca."

Já sobre a presença de José Sócrates em vários eventos nos últimos dias, Marques Mendes acredita que o ex-primeiro-ministro quererá, em parte, ser candidato à Presidência da República "daqui a quatro anos". "Quer intervir politicamente, quer um regresso à política", argumentou, considerando que para António Costa não será fácil lidar com Sócrates. "Não se combate alguém que é um adversário interno como se combate um adversário externo."