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Sócrates vai lançar livro de teoria política que promete que não será “de mexericos”

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O ex-primeiro-ministro foi homenageado este sábado num almoço em Lisboa

O ex-primeiro-ministro José Sócrates anunciou este sábado que vai lançar em outubro um livro de teoria política, que garante que não é "de mexericos", considerando que não o conseguiram afastar do coração dos militantes socialistas.

José Sócrates discursava durante um almoço de apoio que decorreu em Lisboa, no qual anunciou a publicação deste um livro que resulta das suas reflexões dos últimos meses.

"Queria sossegar-vos quanto a uma coisa: nem é um livro de mexericos nem é um livro de um paranoico. É um livro que pretende ser de teoria política. Pus de lado tudo o que escrevi sobre este processo. Não é o momento, mas lá chegará", disse, em declarações registadas pela SIC, numa crítica implícita do livro do ex-diretor do Expresso e do Sol, José António Saraiva.

No debate quinzenal de quinta-feira, o primeiro-ministro, António Costa, tinha utilizado também a expressão "mexericos" para se demarcar do presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, que tinha sido convidado (mas que entretanto cancelou) para apresentar o livro de José António Saraiva: "nem nos distraímos a ler livros de mexericos de que fomos convidados para apresentar".

O antigo primeiro-ministro do PS aproveitou o momento para relatar a primeira participação, sexta-feira, num evento institucional do PS desde que foi constituído arguido na Operação Marquês, a Universidade de Verão do Departamento Federativo das Mulheres Socialistas da Federação da Área Urbana de Lisboa: "as pessoas levantaram-se, aplaudiram e começaram a gritar PS, PS".

"Muitos quiseram afastar-me. Detemos-te, pomos-te na prisão, não dás entrevistas. O primeiro objetivo era isolar-me da sociedade portuguesa. Porventura conseguiram esse objetivo com a direção do PS, mas quero dizer-vos que não conseguiram afastar-me do coração dos militantes", assegurou.

Sócrates avisa que não vai "admitir que façam o banimento da vida pública querendo fazer essa condenação sem julgamento" e que vai "lutar contra isso".

"Eu já bebi o meu próprio sangue e estou com mais força do que nunca. Vou continuar a aceitar todos os convites que me fizeram. Fui a muito sitio neste último ano e vou continuar a ir. Tenho o maior gosto em falar em público", disse, em jeito de aviso.

Sócrates voltou a criticar o sistema judicial devido ao processo que o envolve.

"O que está em causa é o objetivo que eles têm. Sabem qual é? É cometer o ato mais abjeto que vocês possam imaginar: é querer condenar alguém sem direito a julgamento. Não é na praça pública, é sem direito a julgamento", condenou, deixando claro "a essas pessoas que não vão conseguir".