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Durão Barroso: “Não fui para nenhum cartel da droga”

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O presidente não-executivo da Goldman Sachs diz que está a “trabalhar numa entidade legal” e elogia o facto de António Costa ter pedido explicações ao presidente da Comissão Europeia sobre o tratamento que lhe está a ser dado pelo novo cargo

O presidente não-executivo da Goldman Sachs, Durão Barroso, considerou esta sexta-feira que o primeiro-ministo "agiu com muita dignidade" ao pedir esclarecimentos ao presidente da Comissão Europeia sobre o tratamento que lhe está a ser dado pelo novo cargo.

"Fiquei satisfeito. Penso que [António Costa] entendeu que havia aqui um caso de discriminação e pediu formalmente ao presidente da Comissão [Jean Claude Juncker], porque entendeu que devia pedir. Agiu com muita dignididade, defendendo aquilo que é uma posição portuguesa", afirmou Durão Barroso.

O antigo presidente da Comissão Europeia e agora presidente não-executivo da Goldman Sachs International falava aos jornalistas à margem do congresso internacional da INSOL Europe, que decorreu esta sexta-feira num hotel do Estoril, em Cascais.

Durão Barroso voltou a dizer que está a ser alvo de discriminação e lembrou que houve outros membros da Comissão Europeia, inclusive ex-presidentes, que também ocuparam cargos em grandes bancos internacionais e não foram acusados de nada.

"Por que razão há contra mim? A minha opinião é porque sou português. Pode-se gostar ou não da minha atitude, concordar ou não com a minha escolha, mas há uma coisa que é certa: sou um cidadão português, estou no pleno uso dos meus direitos. Não aceito que me sejam limitados os meus direitos. Não fui para nenhum cartel da droga, estou a trabalhar numa entidade legal", defendeu.

O responsável reiterou que fez tudo de forma "transparente, regular, escrupulosamente certa" e, por isso, não aceita que lhes sejam atribuídas "intenções malévolas e comportamentos incorretos".

Durão Barroso disse ainda compreender algumas críticas, mas não aceitar outras e reconhece que a Goldman Sachs é "um nome controverso, como todos os grandes bancos internacionais".

"Simplesmente não aceito que se procure criar uma discriminação contra uma entidade financeira que opera nos mercados, que está devidamente legalizada e devidamente regulada e também não aceito que haja discriminação contra mim, isso é contra as regras europeias, contra o direito europeu", reiterou.

O novo presidente não-executivo da Goldman Sachs justificou a sua ida para o novo cargo, porque o banco lhe deu garantias de que queria reforçar a sua cultura de transparência e responsabilidade.

"O meu trabalho será promover uma cultura de responsabilização, ética e transparência no banco. Não posso ser responsabilizado por coisas do passado. Acho que é perfeitamente aceitável do ponto de vista ético e moral trabalhar para o Goldman Sachs", sustentou.

Embora já estivesse à espera de críticas, Durão Barroso lembrou que a primeira foi feita por Marine Le Pen, "da extrema-direita europeia, dizendo que isso provava que a União Europeia estava ao serviço do capitalismo internacional".

"O mais engraçado é que algumas forças de esquerda, em vez de criticarem essa posição de extrema-direita, foram atrás dela, porque tiveram medo", acusou.

Sobre o comentário do primeiro-ministro francês, François Hollande, que disse ser "moralmente inaceitável" que Durão Barroso ocupasse o novo cargo, o português considerou que mostrou "ceder à pressão" e "não dignificou nada a sua posição".