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Política

Jerónimo lamenta pobreza deixada pelo anterior Governo

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Marcos Borga

Líder do PCP critica os argumentos da oposição e diz que foram os mais pobres que “pagaram a fatura maior” durante o Governo PSD/CDS

O líder comunista e o primeiro-ministro concordaram esta quinta-feira, no debate parlamentar quinzenal, com o aumento da pobreza deixado pelo anterior executivo PSD/CDS-PP, defendendo a necessidade de investimento para maior produção e recuperação de direitos e rendimentos do trabalho.

"Há por aí quem venha com o velho embuste de que queremos acabar com os ricos e não com os pobres. São os mesmos que colocaram milhares de portugueses na pobreza e nunca tiveram esse rebate de consciência", condenou Jerónimo de Sousa, dirigindo-se aos líderes centrista e social-democrata, respetivamente Assunção Cristas e Passos Coelho.

O secretário-geral do PCP disse que "têm de ser encontradas medidas concretas" como o "aumento extraordinário das reformas e pensões" (não inferior a 10 euros), a "valorização do trabalho e remunerações" (salário mínimo nacional de 600 euros em 2017) ou "acabar com a injusta medida congelamento das carreiras da função pública", entre outras relacionadas com a melhoria dos serviços públicos, designadamente na saúde e na educação.

"Foram os mais pobres, os que menos tinham, os trabalhadores, reformados e suas famílias e não os mais ricos, os mais atingidos, os que pagaram a fatura maior, os 10% mais pobres perderam 25% do seu rendimento e os 10% mais ricos apenas metade", continuou o líder comunista, citando um estudo recente da Fundação Francisco Manuel dos Santos, também considerado "impressionante" por António Costa.

Segundo Jerónimo de Sousa, "não foi austeridade, foi uma política de exploração e empobrecimento, uma realidade que tantas vezes PSD e CDS negaram, procurando desmentir, através daquele embuste da equidade das suas medidas".

"É preciso agir para inverter esta situação e fazer justiça, nomeadamente as medidas que permitiram acelerar a reposição de direitos e rendimentos usurpados", apelou o secretário-geral do PCP ao líder do executivo socialista.

António Costa afirmou que Portugal tem de "prosseguir a política de reposição de rendimento e não é só uma questão de contribuir para aumentar a procura interna", pois "tem a ver com a dignidade das pessoas" - "antes da economia estão mesmo as pessoas".

"Essa conversa de que queremos acabar com os ricos é só para encobrir uma outra realidade. A estratégia prosseguida pelo anterior Governo PSD/CDS foi de aumentar os pobres para ver se aumentavam os ricos. Não acreditamos que seja necessário. A riqueza não nasce da pobreza, nasce do trabalho, investimento, modernização, inovação e é assim que construímos um país coletivamente mais rico e que possa partilhar essa prosperidade de forma mais justa", continuou Costa.

O primeiro-ministro defendeu que o "desenvolvimento, competitividade, produtividade das nossas empresas não assenta nesse modelo de baixos salários, destruição de direitos e aniquilação do estado social".

"É preciso investir nas qualificações, na inovação, modernização e capitalização das próprias empresas - é também essencial aumentar a coesão e erradicar a pobreza", algo que considerou fazer-se através dos "salários, apoios sociais e pensões", sendo necessário "encontrar na margem estreita" que existe "o espaço necessário para fazer o que é necessário".

António Costa criticou ainda a "chorosa" líder do CDS-PP, Assunção Cristas, que tinha falado sobre alegados abusos do fisco no combate à fraude e evasão, perguntando-se onde estaria a sua adversária política "quando, por um ministro do CDS (Mota Soares), a vida dos mais pobres foi de tal forma vasculhada para lhes retirar Complemento Solidário para Idosos, Rendimento Solidário de Inserção ou abonos de família".