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Passos: devíamos estar a falar em investimento e não em impostos

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António José / Lusa

“Se acabou a austeridade, porque razão é que estamos a falar em carregar ainda mais nos impostos, quando devíamos era estar a ver onde é que podemos investir, que investidores podemos atrair para Portugal?”, questionou o presidente social-democrata

O líder do PSD considerou esta quarta-feira que a fase de discussão sobre que impostos agravar já devia ter sido ultrapassada, sublinhando que "as circunstâncias excecionais" já não se verificam.

"Se acabou a austeridade, porque razão é que estamos a falar em carregar ainda mais nos impostos, quando devíamos era estar a ver onde é que podemos investir, que investidores podemos atrair para Portugal?", questionou o presidente social-democrata, Pedro Passos Coelho, em declarações aos jornalistas no final de uma visita a uma incubadora de empresas, no Taguspark, em Oeiras.

Escusando-se a "alimentar a questão" da criação de um novo imposto sobre o património e remetendo a posição do PSD sobre qualquer proposta para depois da apresentação do Orçamento do Estado para 2017, Passos Coelho disse ser "uma má ideia" concentrar a discussão em saber como é que se vai buscar mais dinheiros aos impostos, porque tal representa um travão para o crescimento da economia e gera instabilidade para os investidores.

"O facto de haver partidos ligados à maioria que expressam publicamente uma intenção de saque sobre quem faz acumulação para investir, quem poupa para investir ou para gastar mais tarde é perturbador. Tudo isso é um cenário que tem estado a limitar as nossas possibilidades de recuperação e que manifestamente está a retrair a economia", salientou.

Além disso, continuou, Portugal já não devia estar a discutir que impostos agravar, essa fase já devia estar ultrapassada e agora o debate devia estar concentrado em saber como é que a economia pode crescer.

Questionado sobre o facto de há três anos ter defendido que era "um bom princípio social-democrata" pedir um contributo adicional a quem tem ativos imobiliários acima de um milhão de euros para poder isentar ou aliviar aqueles que menos têm, o líder do PSD assegurou que o princípio que enunciou se mantém.

"Quando uma sociedade passa, como nós passámos por situações de muitas dificuldades é àqueles que têm mais que nós pedimos um contributo maior", defendeu, sublinhando que o princípio do seu Governo sempre foi pedir a quem tinha mais um contributo maior, quer fossem pessoas ou empresas.

Passos Coelho disse, contudo, pensar que neste momento Portugal já estivesse numa outra fase, porque já não se está em 2011, em 2012 ou em 2013.

"Se em cima daquilo que já existe nós tivermos de ir buscar com novos impostos, com sobretaxas, com contribuições extraordinárias alguma coisa mais isso está relacionado com certeza com circunstâncias excecionais que possamos estar a viver. Essas circunstâncias excecionais - como eu disse muitas vezes e parece que o Governo faz questão de insistir também - estão ultrapassadas, o próprio Governo diz que acabou a austeridade", vincou.

A propósito da visita que fez à incubadora de empresas instalada no Taguspark, o líder do PSD renovou ainda os apelos à valorização dos empreendedores, considerando que além de Portugal precisar de atrair pessoas de fora, precisa também de reforçar "um bocadinho as condições para que as empresas possam florescer em Portugal".