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Marcelo, Sampaio e Guterres. Um trio em NY à procura da eleição

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NUNO VEIGA / LUSA

Entraram juntos nas Nações Unidas. Presidente, ex-Presidente e candidato a secretário-geral das ONU jogam em três frentes para garantir eleição do português

Bernardo Ferrão

Bernardo Ferrão

em Nova Iorque

Subdiretor da SIC

Chove copiosamente em Nova Iorque. O primeiro dia da investida portuguesa acordou cinzento e molhado, mas isso não impediu a caminhada dos três portugueses para a sede das Nações Unidas. São poucos minutos a pé entre o hotel e o edifício da ONU. Marcelo, Guterres e Sampaio, lado a lado, rodeados de uma pequena comitiva de diplomatas e assessores debaixo de guardas-chuvas.

Guterres é o mais discreto. Claramente não quer ondas e nem pensar em falar com jornalistas. Mas não custa tentar. A pergunta é rápida - a comitiva não abranda a marcha -, “senhor engenheiro, confiante?” E a resposta: “Estou muito satisfeito por estar aqui ao lado do Presidente”. Só. E mais nada.

Antes, para as câmaras, viu-se o abraço entre os três. Marcelo tinha acabado de repetir aos jornalistas que a probabilidade de aparecer uma candidatura de última hora “é muito baixa”, mas em teoria ainda é possível. O nome da búlgara Georgieva Kristalina continua a correr nos bastidores.

Estratégia a multiplicar por três

Em Nova Iorque, o ataque diplomático é feito em três frentes. Marcelo fez questão de trazer Jorge Sampaio, ex-PR, e juntos participam numa cimeira bilateral sobre refugiados e migrantes. Guterres, ex-Alto Comissário para os Refugiados também estará presente, mas em silêncio. Nas várias sessões por onde passa o Presidente, Guterres nunca usará da palavra.

O tema dos refugiados será central na investida de Marcelo e no discurso que fará à Assembleia Geral, esta terça-feira. É fácil perceber porquê. “O PR não pode vir fazer campanha eleitoral para as Nações Unidas, sublinhar os refugiados, não só é um dossiê muito importante para o Presidente, como ao mesmo tempo serve como um piscar de olhos para sublinhar o currículo e o percurso do candidato”, explica fonte da presidência.

Nesta verdadeira ação de charme, Marcelo terá ainda encontros com o rei de Espanha, Felipe VI, e com o Presidente do Brasil, Michele Temer, entre outros. Mas o Presidente quer ainda apostar nos “pequenos estados-ilha que são tradicionalmente grandes apoiantes de Portugal em candidaturas aos vários cargos das Nações Unidas”.

Até ao fim do ano, no máximo, a eleição do secretário-geral tem de estar resolvida.

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