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Portas na Colômbia em campanha pelo acordo de paz

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Ex-ministro dos Negócios Estrangeiros foi convidado pelo presidente colombiano para falar aos empresários a favor do “sim” no plebiscito ao acordo assinado com as FARC

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

Paulo Portas esteve esta semana em Bogotá, a convite do presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, a fazer campanha a favor do "sim" no plebiscito sobre o acordo de paz assinado entre o Governo e as FARC. O ex-vice-primeiro-ministro abriu uma conferência na Câmara de Comércio de Bogotá - que foi, no final, encerrada pelo Presidente Santos - onde estavam alguns dos principais empresários colombianos, sobre "o papel do setor privado na construção da paz".

Portas, agora dedicado aos negócios, direcionou uma parte da sua intervenção a sublinhar os custos económicos no caso de o plebiscito chumbar o acordo de paz, que pôs fim a mais de cinquenta anos de guerrilha promovida pelas FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).

A duas semanas do plebiscito, marcado para 2 de outubro, a opinião pública colombiana mostra-se bastante dividida, apesar das sondagens se inclinarem para a vitória do "sim". As divisões atravessam mesmo as famílias políticas - há divisões na extrema-esquerda (inclusivamente nas FARC) mas sobretudo na direita, com a campanha pelo "não" a ter como pontas-de-lança dois ex-Presidentes da República, Andrés Pastrana e Álvaro Uribe.

Portas, que se apresentou com o pin da "paloma" da paz na lapela, foi uma das personalidades europeias convidadas por Juan Manuel Santos para reforçar a campanha do "sim". Outro dos convidados foi o ex-PM espanhol Felipe González.

Na sua intervenção, o ex-vice-primeiro-ministro evidenciou o empenhamento da UE, da ONU e de toda a comunidade internacional na confirmação do acordo de paz. "O mundo está perigoso: terrorismo, fanatismo, extremismo, demagogia e populismo. No meio desta imprevisibilidade, a Colômbia é capaz de fazer um acordo de paz histórico. Eis uma boa razão para ter esperança no humanismo e na humanidade."

Portas salientou que "obviamente a paz só pode trazer à Colômbia melhor economia. Haverá mais segurança, portanto haverá mais investimento estrangeiro. O mercado passa a ser único, portanto haverá mais comércio interno. O campo vai ser produtivo e o turismo livra-se do fantasma da insegurança. Obviamente a marca Colômbia ganhará com isso."

Quando era ministro dos Negócios Estrangeiros e vice-primeiro-ministro com a coordenação económica do Governo, a Colômbia foi um dos países a que Portas deu mais atenção. Nesse período Portugal integrou a Aliança do Pacífico. Agora consultor da Mota-Engil, Portas continua a manter a Colômbia nas suas prioridades.