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Marcelo respondeu a Sócrates (sem responder): “O papel do Presidente é melhorar a Justiça”

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Antigo primeiro-ministro criticou a visita de Marcelo Rebelo de Sousa ao DCIAP por entender que só poderá ser interpretada como um sinal político de apoio ao departamento do Ministério Público responsável pela investigação da Operação Marquês. Marcelo já respondeu (mas pouco)

“O Presidente da República não comenta processos. O seu papel, tal como disse no final da visita ao DCIAP, é melhorar a Justiça.” Foi nestes termos que o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, respondeu aos jornalistas que lhe pediram para comentar as críticas do antigo primeiro-ministro socialista, que acusou o chefe de Estado de “tomar parte” na Operação Marquês devido à visita que fez ao DCIAP.

Falando aos jornalistas à saída da sessão de encerramento do Congresso dos Revisores Oficiais de Contas, em Lisboa, Marcelo deixou claro que nada tem a dizer sobre a Operação Marquês, ou qualquer outro processo judicial. Entrou no carro e deixou o local.

Em entrevista à TSF, José Sócrates afirmou que “ao visitar o DCIAP (Departamento Central de Investigação e Ação Penal, no dia 7 de setembro) uma semana antes daquilo que - já se estava mesmo a ver que era mais um adiamento (do prazo para a conclusão do inquérito da Operação Marquês) -, o Presidente da República decidiu tomar parte.”

“Fez um sinal político que não me escapou. De quem entre aqueles que abusam do poder - como é o caso do Ministério Público - o Presidente da República decidiu assim, do ponto de vista simbólico, visitar o DCIAP para sinalizar que está do lado de uma instituição contra o indivíduo”, sustentou o ex-primeiro-ministro socialista.

Marcelo "muito empennhado"

Quando visitou o DCIAP a 7 de setembro, o Presidente da República, disse que estava "muito empenhado" no funcionamento da investigação criminal.

No final da visita, em declarações aos jornalistas (que não puderam acompanhar a visita), o Presidente da República rejeitou pronunciar-se sobre questões concretas quando foi questionado sobre o facto de decorrerem no DCIAP casos como o do ex-primeiro-ministro José Sócrates ou do ex-presidente do BES Ricardo Salgado.

"Eu só vim aqui dizer uma coisa: que é por um lado ouvir, ver as condições a trabalho e dar o estímulo ou dar o apoio do Presidente da República no sentido daquilo que os portugueses desejam, que é que seja realizada justiça e que ela aqui comece por uma unidade de investigação muito especializada da criminalidade muito complicada, mas que por isso mesmo preocupa os portugueses", explicou.

A visita presidencial ao DCIAP demorou mais de uma hora tendo o chefe de Estado sido acompanhado pela ministra da Justiça, Francisca Van Dunem e pela Procuradora-Geral da República, Joana Marques Vidal.

Entretanto, a Procuradoria-Geral da República (PGR) informou que concedeu mais 180 dias (seis meses) para a "realização de todas as diligências de investigação consideradas imprescindíveis" na Operação Marquês, que envolve o ex-primeiro-ministro José Sócrates.

Os advogados de José Sócrates consideraram a decisão ilegal, abusiva e arbitrária.