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Ferreira Leite: “Se vamos só estar a satisfazer Bruxelas não vamos longe”

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A ex-líder do PSD diz que a manutenção da “obsessão pela consolidação orçamental” irá impedir o crescimento económico

“Enquanto se considerar que o objetivo orçamental é o défice, não há crescimento possível”, defendeu Manuela Ferreira Leite esta quinta-feira à noite na TVI24.

Embora reconhecendo a complexidade da situação, por estar inserida no contexto europeu, a ex-líder do PSD afirmou que “era preferível ter umas décimas mais elevadas, não atingindo os 3% de défice”, pois a manutenção da “obsessão da consolidação orçamental” irá impedir o crescimento económico. “Se vamos só estar a satisfazer Bruxelas não vamos longe”.

Em contraponto, a economista referiu o caso de Espanha que não aceitou um resgate financeiro e que está a crescer a 3%, já que o motor da sua economia estar a funcionar bem, enquanto “nós estamos sem esse motor”.

Ferreira Leite disse que o Orçamento que o PS pretende apresentar só seria viável se “houvesse um efetivo crescimento económico (…) que não se verifica” e que, tendo aumentado as despesas, para cumprir as promessas que efetuou, o Governo precisa de aumentar as receitas.

Nesse sentido, vê como “sinais preocupantes” a solução encontrada de um novo imposto sobre o património imobiliário.

Ferreira Leite acusou o Bloco de Esquerda, que esta quinta-feira anunciou o novo imposto, de ter a obsessão por tributar o património. E contestou a ideia de que será um imposto para fazer justiça social: “Ou apanha pouca gente e dá uma receita mínima ou se dá uma receita razoável vai apanhar a maior parte das pessoas”, tendo em conta que em Portugal “quase toda a gente tem património”.

Ao mesmo tempo referiu que o imobiliário é, a par do turismo, dos poucos setores que dão sinais de alguma recuperação, e que a criação do imposto sobre essa área será um desincentivo “maléfico para o país”, "Um sinal contrário ao que deveria ser dado".