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Guterres na ONU: guerra adiada para outubro

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MANUEL ELIAS / UN PHOTO / LUSA

Kristalina Georgieva, a búlgara que pode ameaçar António Guterres na corrida à sucessão de Ban Ki-moon, ganha espaço mas não avança antes de dia 26. Marcelo pode cruzar-se com ela, esta semana, em Sofia

Só depois de dia 26 de setembro, data da próxima votação secreta para secretário-geral da ONU, é que se sabe se a búlgara Kristalina Georgieva, atual vice-presidente da Comissão Europeia e potencial concorrente de peso de António Guterres, é ou não candidata.

Ao que o Expresso apurou, Kristalina não avançará, ao contrário do que chegou a ser admitido nos meios diplomáticos, sem ter o apoio oficial do seu país e isso depende do resultado que Irina Bokova, a atual candidata oficial búlgara, venha a ter no dia 26.

Esta terça-feira, o assunto foi discutido pelo Governo búlgaro e declarações do primeiro ministro, Boiko Borissov, deixaram em aberto a eventual desistência da atual candidata do país. Para já, o apoio a Bokova mantém-se mas Borissov lembrou que a sua votação veio piorando e que se no dia 26 a candidata não conseguir reunir nove votos favoráveis (teve sete na última), terão que repensar a questão.

Na última votação secreta, na passada sexta-feira, Bokova foi a mulher mais bem colocada mas desceu para quinto lugar. Se não melhorar na próxima votação secreta e for forçada a retirar a candidatura, Kristalina Georgieva avança e terá já garantido o apoio de cinco países da região.

Quarta-feira, Kristalina poderá comparecer na reunião do Grupo de Arraiolos que decorre em Sofia e onde estará o Presidente da República português, Marcelo Rebelo de Sousa.

Esta semana, em desfavor da potencial candidata à ONU surgiram, no entanto, notícias de que o seu nome estaria a criar problemas nas relações entre a Alemanha e a Rússia. De acordo com a imprensa búlgara, a vice-presidente da Comissão conta com o apoio da chanceler alemã Angela Merkel, que terá tentado influenciar a Rússia a apoiá-la. Posição que não terá agradado a Moscovo.

A menos que a tensão entre os dois países possa condenar à partida a nomeação de Georgieva, esta pode ser a candidata de última hora que vem baralhar o jogo.

Até agora, o português António Guterres venceu as primeiras quatro votações secretas – 21 de julho, 5 de agosto, 29 de agosto e 9 de setembro.