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PSD rejeita Assunção, espera por Pedro, pensa em Zé Eduardo e tem na manga um Jorge e uma Maria

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Alberto Frias

Concelhia de Lisboa reafirma que “apoio a Cristas é uma não-questão” e adia anúncio do candidato social-democrata à capital para 2017. “Fevereiro era um bom timing”, diz Mauro Xavier, em reação ao anúncio feito no sábado pela líder do CDS de que vai avançar para Lisboa

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

Assunção Cristas não conta com o apoio do PSD na sua candidatura à Câmara Municipal de Lisboa (CML), e o facto de não ter procurado previamente esse apoio – apenas tratou de informar Pedro Passos Coelho imediatamente antes do anúncio público – é o sintoma mais claro de que os dois ex-parceiros estão cada um por sua conta na disputa da capital. E Cristas bem pode não contar com o PSD, pois o que o PSD-Lisboa tem para lhe dizer é que nunca a apoiaria. “O apoio do PSD a Assunção Cristas é uma não-questão”, garante ao Expresso Mauro Xavier, o líder da concelhia de Lisboa dos sociais-democratas, reafirmando uma predisposição que já era pública desde que se começou a falar da eventual candidatura da presidente do CDS.

O responsável pelo PSD da capital puxa pela memória para lembrar que sempre rejeitou apoiar uma coligação liderada pelo CDS e desvaloriza o anúncio de Cristas, do qual só retira a vantagem dessa questão ter ficado clarificada. Mas, quando ouve Marques Mendes falar em “xeque-mate ao PSD”, que deixa o partido de Passos Coelho “numa situação muito difícil”, Mauro Xavier não podia estar mais em desacordo. No seu comentário dominical na SIC, o antigo líder do PSD resumiu a situação do seu partido em Lisboa como uma escolha entre a espada e a parede. Apoiar Cristas, diz Mendes, seria “suicídio”; “se não apoiar Cristas, dificilmente o PSD consegue ter um candidato vitorioso”, pois “sem coligação é muito difícil ganhar a Câmara de Lisboa”.

“Discordo totalmente”, diz o presidente da concelhia. E lembra os exemplos do passado: quando Paulo Portas se candidatou à CML, Pedro Santana Lopes conseguiu a sua primeira eleição como presidente; depois, quando o CDS avançou com outra cartada forte – Maria José Nogueira Pinto –, o PSD voltou a triunfar. “Nesses dois momentos, contra apostas fortes do CDS, o PSD teve as suas maiores vitórias”, recorda Mauro Xavier. Mais: em ambos os casos, o anúncio do candidato do PSD foi “poucos meses antes das eleições”, o que dá força à tese de que “não faz sentido estar a lançar um candidato a um ano de distância” das autárquicas.

Para o dirigente concelhio, “se o PSD tiver um candidato mobilizador, o facto de não ir coligado com o CDS até é bom, porque isso permite segurar o voto de protesto à direita”.

A questão é quem será esse “candidato mobilizador” – mas, sobre isso, Mauro Xavier não fala.

Para já, só há candidatos a candidatos. Pedro Santana Lopes ainda não tomou uma decisão e o partido continua à sua espera - apesar dos calendários permitirem apresentar candidatos até março, o PSD conta que até ao final de outubro Santana diga se troca ou não a Santa Casa por uma recandidatura autárquica.

Santana é o único denominador comum numa decisão que, por ser a capital do país, envolve a concelhia, a distrital e a direção nacional do partido. Sem Santana, cada um puxa para o seu lado.

Conforme o Expresso noticiou, a concelhia já sondou o ex-deputado José Eduardo Martins para o caso da aposta em Santana falhar - este crítico de Passos Coelho não fechou a porta, mas o deslizar do calendário torna cada vez mais improvável que aceite. Para além de que é o nome que menos agrada a Passos Coelho.

Por outro lado, há dois nomes da direção nacional que podem ir a jogo: os vice-presidentes Jorge Moreira da Silva – que, questionado sobre essa hipótese, não a pôs de parte – e Maria Luís Albuquerque, nome lançado por Marques Mendes na sua tribuna televisiva.

Certo, certo, é que depois de Assunção Cristas ter dado sozinha o tiro de partida, na direção do PSD a palavra de ordem é que seria “impensável” não ir a jogo na principal cidade do país.

Quanto a calendários, não há pressa. “Fevereiro era um bom timing”, diz o líder da concelhia – nem na primeira nem na última leva de candidatos. “Keep cool”, tem sido a frase mais repetida por estes dias – uma frase que Santana Lopes foi o primeiro a puxar para este contexto.