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PSD acusa Centeno de “piromania política”

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Luís Montenegro pediu uma palavra de tranquilidade do primeiro-ministro sobre a possibilidade de Portugal ter de enfrentar um novo resgate

O líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, acusou hoje o ministro das Finanças, Mário Centeno, de “piromania política”, e pediu uma palavra de tranquilidade do primeiro-ministro sobre a possibilidade de Portugal ter de enfrentar um novo resgate.

Em causa está uma entrevista do ministro Mário Centeno à cadeia televisiva norte-americana CNBC em que, questionado se “vai fazer tudo o que for necessário para evitar que Portugal tenha um segundo resgate", responde: "Essa é a minha principal tarefa. O compromisso que temos na frente orçamental e na redução da despesa pública é precisamente nessa direção".

“É devida ao Governo e ao primeiro-ministro uma palavra de tranquilidade sobre este assunto, o assunto é demasiado sério, coloca Portugal num radar prejudicial às famílias e empresas portuguesas”, desafiou Luís Montenegro, na abertura das jornadas parlamentares do PSD, que decorrem hoje e terça-feira em Coimbra.

Para o presidente da bancada social-democrata, “é muito sintomático” que esta posição tenha vindo daquele que “devia ser o portador de uma mensagem de confiança” na política económico-financeira do executivo PS.

“Um ministro das Finanças não diz que está a tentar evitar, evita (…) É verdade que ele tem uma certa tendência para a piromania política”, acrescentou.

Em 2011, Portugal recebeu um resgate financeiro de 78 mil milhões de euros da 'troika', num processo que envolveu vários cortes nos gastos e reformas, mas que permitiu ao país sair com sucesso do programa em 2014.

“Deus nos livre de termos de passar outra vez pelo mesmo”, afirmou Luís Montenegro.

Segundo o 'site' da CNBC, que divulga a entrevista, as declarações do ministro português foram dadas durante o fim de semana à margem do encontro dos ministros das finanças da zona euro, em Bratislava.

Na entrevista, o ministro das Finanças disse que é "apenas parcialmente verdadeiro" que o Governo português esteja a focar-se mais no consumo, destacando que o "foco substancial" é a recuperação de rendimentos, especialmente para as famílias.

"Claro que também estamos a dirigir a nossa política para as empresas, para o investimento, temos um programa muito ambicioso com o objetivo de ajudar a capitalizar as empresas e estamos a fazer um grande esforço para estabilizar o nosso sistema financeiro, que é crucial para o crescimento do investimento e da economia", afirma Centeno.

A entrevista aborda ainda o plano de recapitalização da Caixa Geral de Depósitos, com Mário Centeno a destacar a existência de "um plano de negócios muito ambicioso" e de "uma equipa de gestão muito profissional".

"Penso que o mercado vai perceber muito facilmente que se trata de uma operação muito ambiciosa e orientada para o mercado e por isso estamos confiantes em levantar os 500 milhões de dívida subordinada que temos de ir buscar ao mercado", disse.