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Ensino superior: Montenegro acusa Costa de “esperteza saloia”

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Alberto Frias

“O primeiro-ministro diz que o crescimento [em número de alunos] deste ano tem a ver com a recuperação económica do país. ‘Voilá’, o primeiro-ministro percebeu três anos depois que em 2014, 2015 e, por via dessa dinâmica também em 2016, as condições económicas foram melhorando. Ele tem razão, só não tem razão em dizer que só aconteceu este ano”, aponta o líder parlamentar do PSD

O líder parlamentar do PSD acusa o primeiro-ministro de distração e "esperteza saloia", depois de António Costa ter dito este domingo que o aumento de colocações no ensino superior representa a "morte do modelo de desenvolvimento" da direita.

"O primeiro-ministro anda francamente muito distraído e revela em cada passo que intervém, sobretudo dirigido à oposição e ao PSD, uma manifesta dose de esperteza saloia. É o que acontece nesse caso", afirmou Luís Montenegro à margem de uma visita ao agrupamento de escolas Infante Dom Pedro, em Penela (Coimbra), que marca o arranque de dois dias de jornadas parlamentares do partido.

De acordo com o presidente da bancada social-democrata, 2016 é o terceiro ano consecutivo em que aumenta o número de acessos ao ensino superior. "O primeiro-ministro diz que o crescimento deste ano tem a ver com a recuperação económica do país. 'Voilá', o primeiro-ministro percebeu três anos depois que em 2014, 2015 e, por via dessa dinâmica também em 2016, as condições económicas foram melhorando. Ele tem razão, só não tem razão em dizer que só aconteceu este ano", afirmou.

Montenegro diz estar, contudo, preocupado por o atual Governo "não ter dado sequência ao trabalho" do anterior executivo PSD/CDS, apontando dados como o crescimento abaixo do previsto ou o decréscimo de investimento público. "No meio de tudo isto, António Costa transformou-se no guardião do objetivo de ter défice de 3% entusiástico da deputada Catarina Martins e do deputado Jerónimo de Sousa, nada mais interessa", critica.

Novamente questionado sobre se o PSD vai abdicar de apresentar propostas no âmbito do Orçamento do Estado de 2017, Luís Montenegro reiterou que é "o Governo das esquerdas" que tem responsabilidade de apresentar esse documento, tanto mais que conta "com a cooperação da Assembleia da República, da União Europeia e do Presidente da República".

"O doutor António Costa não quer as propostas do PSD para nada, a não ser para distrair as atenções dos resultados económicos, mas nós não vamos dar esse brinde ao doutor António Costa", assegurou.

No final da visita ao agrupamento de escolas de Penela, um estabelecimento público, o líder parlamentar dos sociais-democratas sublinhou que o partido não tem qualquer tabu em relação à escola pública, vincando que tanto se pode prestar serviço público nas escolas estatais e noutras que não são propriedade do Estado.

"O que esperamos é que a abertura do ano escolar possa ser no mínimo tão boa como no ano passado, mas que o decurso do ano não seja tão mau como o anterior", sublinhou Montenegro, que considerou que no ano letivo anterior foi o Governo que trouxe instabilidade às escolas com as reversões e mudanças introduzidas na avaliação de professores e alunos.

"Não é a comunidade escolar que tem acrescentado instabilidade ao funcionamento da escola, infelizmente tem sido o Governo", insistiu.

A abertura formal das jornadas parlamentares do PSD está marcada para as 15h desta tarde, num hotel em Coimbra, com intervenções de Luís Montenegro e do presidente da Comissão Política Distrital de Coimbra, Maurício Marques.

O primeiro painel do dia será dedicado à educação e o segundo à coesão territorial, com o encerramento das jornadas marcado para terça-feira, à hora de almoço, com a intervenção do presidente do partido Pedro Passos Coelho.

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