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Azeredo Lopes pertence a outro governo. Nota da direção do Expresso

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Ministério da Defesa confirmou notícia que o ministro diz não ser verdadeira

O ministro da Defesa Nacional disse este sábado de manhã que a notícia do Expresso de que o governo admite a extinção dos Comandos não é verdadeira. E que o Expresso só pode ter falado com "outro governo". Uma vez que foi o próprio Ministério da Defesa que, pelos canais oficiais, confirmou ontem (duas vezes!) a notícia ao nosso jornal, contamos aqui o sucedido para esclarecimento dos leitores de como o Ministério da Defesa recuou na sua própria informação, enganando-se ontem ou enganando hoje. E concluímos por silogismo que o ministro Azeredo Lopes pertence ao "outro governo".

A tragédia no curso dos Comandos que vitimou dois militares merece o pesar acima de todas as outras questões, incluindo deste esclarecimento. É esse o acontecimento mais importante. Incluindo nisso a investigação em curso, as consequências que dela decorram e a função jornalística de apuramento de factos, sobre este curso em específico e sobre os exercícios militares em geral. Nada do que se segue neste esclarecimento põe em causa essa hierarquia de importância nem releva o respeito pela dor e pelo luto das famílias das vítimas. Não duvidamos que a preocupação do ministro Azeredo Lopes é exatamente a mesma.

O Expresso pediu na sexta feira de manhã para falar com o ministro da Defesa. Azeredo Lopes não esteve disponível. Em seguida, o jornal questionou por escrito o Ministério da Defesa sobre as averiguações ao Curso de Comandos. Entre essas perguntas encontrava-se a seguinte:

"Os comandos podem vir a ser avaliados e podem correr o risco de voltarem a ser extintos como já aconteceu no passado?"

A esta pergunta, o Ministério da Defesa respondeu ontem por escrito:

"O objeto da Inspeção Técnica Extraordinária a ser levado a cabo pelo Exército tem precisamente como sua componente fundamental a realização de uma avaliação sobre a formação e os referenciais dos Cursos de Comandos. Será necessário conhecer o resultado desta inspeção, bem como dos restantes inquéritos em curso, para se saber, por um lado, o que realmente não funcionou bem e, por outro lado, quais as medidas a adotar para impedir a ocorrência de situações trágicas como aquelas que sucederam na última semana. Até se dispor desses resultados será sempre especulativo traçar-se algum cenário."

Recebida esta resposta, o Expresso contactou telefonicamente o Ministério da Defesa para esclarecer se o governo admitia encerrar o curso de Comandos, findos os resultados das averiguações em curso. Fonte oficial do Ministério respondeu: "Está tudo em aberto".

Tendo a resposta por escrito do Ministério e confirmado depois com o mesmo Ministério que o governo admitia mesmo encerrar o curso de Comandos, o Expresso publicou este sábado a notícia.

Espantosamente, o ministro da Defesa afirmou sábado de manhã aos jornalistas:

"Ou falaram com outro Governo ou o que este Governo diz é que foi iniciado um processo de investigações em tempo útil com pleno apoio do MDN".

O Expresso mantém pois na íntegra a informação publicada, a partir das respostas do Ministério. Vai manter a sua própria investigação jornalística aos factos ocorridos questionando o andamento do processo de averiguação oficial. E desmente pois o senhor ministro, que desmentiu o seu próprio Ministério. Até porque o Expresso não falou com outro governo se não aquele a que, pensávamos nós, Azeredo Lopes pertencia.