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Política

Recapitalização da CGD: Governo promete devolver dinheiro aos contribuintes

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Regressado das férias, o Parlamento voltou a discutir o acordo entre o Governo e a Comissão Europeia sobre a recapitalização da Caixa Geral de Depósitos. PSD e CDS criticam o processo e lembram que há muitas perguntas para responder, PCP e BE afastam a recapitalização como problema, mas dizem que vão lutar contra despedimentos e encerramento de balcões

O secretário de Estado Adjunto do Tesouro e das Finanças, Ricardo Mourinho Félix, voltou a realçar esta quinta-feira o valor “inédito” do acordo "alcançado em quatro meses" entre o Governo e as instituições europeias para a recapitalização da Caixa Geral de Depósitos. "Afinal é possível apresentar à DG Comp (Direção Geral da Concorrência) planos de negócio que sejam aceites à primeira", disse na Comissão Parlamentar de Inquérito à Caixa, numa alusão aos planos do anterior Governo para o Banif que foram sucessivamente chumbados em Bruxelas.

Mourinho Félix reconheceu que o plano de negócio é "exigente" mas assume um compromisso perante os portugueses: "É perante estes portugueses que o Governo, enquanto seu representante, e a nova administração da Caixa Geral de Depósitos se comprometem a implementar um plano de negócio que permitirá devolver aos acionistas no futuro mais do que aquilo que agora investirão", afirmou, numa referência ao valor até 2.700 milhões de euros que os contribuintes portugueses "investirão, através do seu trabalho".

O PSD, no entanto, aponta o dedo ao acordo entre o Governo e a Comissão Europeia e acusa o Governo de ter mentido aos deputados em julho: "O ministro disse na Comissão Parlamentar de Inquérito que não sabia os montantes necessários para a recapitalização da Caixa, porque esse valor só seria conhecido depois da realização de uma auditoria, já pela nova administração. Ao mesmo tempo estava a negociar a recapitalização", afirmou o deputado do PSD, Hugo Soares. “Andou a enganar o país?”, questionou, sublinhando ser preciso saber se "definitivamente” o processo está ou não fechado em Bruxelas.

Há muitas outras perguntas ainda por responder em relação à Caixa Geral de Depósitos, segundo o CDS. “Em primeiro lugar, quanto exatamente é que esta capitalização vai custar, em valores reais? Quanto vão ganhar estes super-gestores?”, questionou a deputada Cecília Meireles, sublinhando ainda a necessidade de se esclarecer se “estes valores” vão ou não ter impacto sobre a dívida, “já que já se disse que não iam ao défice”.

“O dinheiro não cai do céu. Em impostos ou em juros, os portugueses vão pagar este dinheiro”, argumentou a centrista. “E, em segundo lugar, quantos trabalhadores vão ser dispensados e quantos balcões vão ser fechados?”

A deputada do CDS considerou que a atuação do Governo quanto à Caixa tem sido de “trapalhada, irresponsabilidade e ocultação”. E gerando ‘espanto’ nos partidos da esquerda, Cecília Meireles afirmou ainda que o CDS sempre defendeu que a Caixa “devia ser pública”. “A Caixa é uma instituição pública de referência e, por isso, é fundamental que a onda de especulações acabe.”

O comunista Miguel Tiago lembrou, no entanto, que o PSD e CDS “estiveram quatro anos a ocultar todos os problemas financeiros”. Tanto o PCP como o Bloco partilham a ‘batalha’ contra os despedimentos de trabalhadores da Caixa e o encerramento de balcões. “Da parte do PCP, o problema não é a recapitalização. É saber o que a acompanha”, disse.

O mesmo defendeu Mariana Mortágua, deputada do Bloco de Esquerda, sublinhando a importância da recapitalização, mas lembrando ser preciso ainda saber "qual a forma da recapitalização" e o que a justifica.

Para o PS, o acordo foi “uma vitória para Portugal e para os portugueses”, disse o deputado Carlos Pereira, deixando críticas à atuação da oposição. “Têm um desejo oculto para que o governo português perca uma batalha com Bruxelas. Sempre que há uma negociação com Bruxelas, esfregam as mãos e criam cenários catastróficos.”

Os Verdes deixaram também ao Secretário de Estado a pergunta sobre se vai ou não haver despedimentos na CGD e que papel vai ter a Caixa no crédito à economia. "Qual é o futuro da Caixa?", questionou a deputada Heloísa Apolónia.