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Passos Coelho: “Salvar o país” é mais importante que “salvar a pele”

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Passos Coelho, durante a sua intervenção na sessão de encerramento da Universidade de Verão 2016 do PSD, em Castelo de Vide.

NUNO VEIGA/LUSA

Para o PSD, “o que importa é o país e os portugueses”, não “um resultadozinho” nas eleições

O líder do PSD recusou este domingo qualquer pressa em regressar ao Governo para o partido se “desforrar”, sublinhando que o país é mais importante do que “salvar a pele” ou “um resultadozinho” nas eleições.

“O verdadeiramente importante não é termos pressa de regressar ao poder, ao Governo, para nos desforrarmos, para voltarmos a ser o que já fomos, isso não interessa nada”, afirmou o presidente social-democrata, numa intervenção no encerramento da Universidade de Verão do PSD, que decorreu em Castelo de Vide desde segunda-feira.

Sublinhando que é sempre preciso escolher o que a cada um parece certo, Passos Coelho garantiu que ninguém ouvirá o PSD dizer “que se lixe o país, o que é preciso é salvar a pele”, porque para o partido “o que importa é o país e os portugueses”.

Falando perante os cerca de 100 jovens que frequentaram a Universidade de Verão do PSD, Passos Coelho lembrou quando, em 2012, disse “que se lixem as eleições”, explicando que na altura quis dizer por “palavras simples” que se preocupava mais em salvar o país do que em salvar a sua “pele” e nos resultados eleitorais do partido.

“Se as duas coisas forem conciliáveis tanto melhor, mas se tiverem de escolher entre aquilo que vos parece firmemente certo e um resultadozinho na eleição seguinte, escolham sempre aquilo que vos parece inteiramente certo”, aconselhou.

Numa intervenção em que não tocou numa das questões que ocupará a agenda política dos próximos meses, o Orçamento do Estado para 2017, e não esclareceu se o partido voltará, tal como no ano passado, a não apresentar propostas de alteração, Passos Coelho avisou, contudo, que não será “cúmplice de uma solução em que o país tenha de passar por novos sacrifícios”.

“No futuro, aqueles que hoje tomam decisões não venham responsabilizar pelos resultados os que chamaram a atenção para os erros que estavam a ser cometidos”, disse, insistindo que espera que, quem governa, o faça a pensar no futuro.

Na sua intervenção, Passos Coelho recusou ainda seguir pelo caminho dos “ataques pessoais”, advogando que acusações de natureza pessoal não devem estar no debate político.

“Às vezes, parece que podia ser justo que eles provassem do seu próprio veneno, porque muitas vezes eles nos fizeram isso no passado”, ironizou.

Antes de Passos Coelho, o líder da JSD, Simão Ribeiro, tinha também deixado duras críticas ao primeiro-ministro, que disse estar “a mais na política portuguesa”.

“Não tenho qualquer problema em afirmar: António Costa está a mais na política portuguesa, é mesmo todo o Governo que está a mais, declarou.

Alinhando nas críticas que ao longo da semana foram sendo ouvidas em Castelo de Vide, Simão Ribeiro foi ainda mais longe, considerando mesmo que a única linha política do Governo é a sobrevivência. "António Costa quer chegar ao fim do dia e dizer 'bolas consegui mais um dia ser primeiro-ministro'", gracejou.