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INE é o grande opositor do Governo, diz Marques Mendes

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Instituto Nacional de Estatísticas não é só o grande opositor de António Costa, é o único. Passos Coelho e Assunção Cristas continuam mais interessados em criticar do que apresentar propostas concretas

Helena Bento

Jornalista

O Governo socialista tem um grande opositor e esse grande opositor chama-se Instituto Nacional de Estatísticas. Os números divulgados esta semana “falam por si”. E o que é que eles dizem? Que, “manifestamente, esta receita não está a funcionar”.

Mas o mais estranho no meio disto tudo, diz Marques Mendes, é que não haja quem, no Governo, “dê a cara” e explique o que se está a passar. Mais ainda quando os números divulgados pelo instituto relativos ao crescimento são bem inferiores - “praticamente um terço” - aos prometidos por Costa durante a campanha eleitoral. O que faz com que estejamos perante “uma falha de uma promessa”, “que prejudica as pessoas e põe em causa o cumprimento do défice”.

Mas o INE não é só o grande opositor do Governo. É o único. E isso ficou claro, mais uma vez, este domingo, dia em que PSD e CDS encerraram as escolas de formação política. Se Passos Coelho continua a insistir nas críticas a António Costa e à maioria de esquerda no Governo, em vez de “apresentar uma alternativa mobilizadora”, Assunção Cristas não lhe fica atrás.

“Um e outro passaram ao lado de alguns desafios essenciais”, diz Marques Mendes, que ainda assim considera que a líder do CDS conseguiu sair melhor na fotografia, ao ter “apresentado algumas propostas que vai formular nos próximos tempos”. Quanto ao PSD, é preciso ter em atenção que o partido social-democrata “vai precisar de maioria absoluta e, para isso, não chega confiar na queda de quem está no poder”, diz o comentador.

Quem também continua igual a si mesmo, mostrando “mais do mesmo”, é o Partido Comunista. O discurso de Jerónimo de Sousa na Festa do Avante, que comemora este ano a sua 40.ª edição, pouco acrescentou ao que já se sabe, considera Marques Mendes, para quem a “grande questão de fundo” é mesmo saber se vai haver, ou não, mudança de líder do partido. “Por enquanto, está tudo em aberto”.

Questionado a respeito da atualização das pensões mínimas ao nível da inflação, tema que divide o PS do PCP e Bloco, Marques Mendes, não querendo focar-se apenas nesse ponto, considera que o mais importante, neste momento, “é mesmo fazer uma reforma de fundo na segurança social”, contando, para isso, com Passos Coelho. “Devia existir um pacto entre o líder do PSD e o Governo nesse domínio”, diz.

Fazendo um balanço dos primeiros seis meses de Marcelo Rebelo de Sousa em Belém, Marques Mendes destaca cinco aspectos “marcantes”: a sua “popularidade”, que considera inédita, a sua capacidade de “pacificação”, a capacidade de manter a autoridade - o que o distancia, por exemplo, de uma “rainha da Inglaterra” - a aposta na política externa - Marcelo, ao contrário dos presidentes anteriores, tem uma “costela africanista” - e o facto de ter conseguido trazer Mario Draghi, presidente do BCE, a um Conselho de Estado português. Marcelo Rebelo de Sousa está verdadeiramente a “redefinir a função Presidencial”, considera Marques Mendes.

Esta é a parte boa. Mas e a má? Estaremos perante uma exposição mediática excessiva? Marques Mendes diz que não, pelo menos por enquanto. No futuro, talvez seja necessário “abrandar um pouco este ritmo, do ponto de vista das intervenções”. Em vez de “comentar todos os focos da atualidade, talvez deva apenas comentar alguns”. Mas o que Marcelo fez estes seis meses era “o que tinha de ser feito” e, por isso, está tudo bem.