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Orçamento: Passos aconselha cautela a Marcelo

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Miguel A. Lopes / Lusa

PSD faz fogo cerrado sobre contas e modelo de Costa. Passos avisa PR sobre o défice: “Eu não seria tão categórico”

O PSD voltou de férias pronto a fazer fogo cerrado sobre o desempenho orçamental e o modelo económico do Governo socialista. Disposto a arriscar manter-se sob o signo dos números, Pedro Passos Coelho tem feito sucessivos discursos e intervenções focados num ponto: o modelo socialista “falhou” e António Costa deve reconhecê-lo “antes que seja tarde demais”.

Foi essa a frase usada esta semana por Maria Luís Albuquerque, braço-direito do ex-primeiro-ministro nesta rentrée anti-Costa, anti-Centeno e anti-Marcelo, que o PSD vai reforçar este domingo com o fecho da Universidade de Verão do partido e na próxima semana com umas Jornadas Parlamentares antecipadas face ao calendário habitual e que darão nova oportunidade de carregar na tecla: o modelo socialista não vai conseguir cumprir o prometido, ou seja, repor rendimentos, travar a austeridade e pôr o país a crescer.

A ex-ministra das Finanças deu uma conferência de imprensa em que apontou números da comparação homóloga (com o segundo trimestre de 2015) para mostrar que estamos pior. “As exportações estavam a crescer 7,1% e agora estão a crescer 1,5%; as importações estavam a crescer 12,5%, estão a crescer 0,9%; e o consumo das famílias, suposto motor do crescimento, estava a crescer 3,3% e está a crescer 1,7%.” O mais negativo estava para vir: “O investimento estava a 5,2% em 2015 e está agora a cair 3,1%.” Maria Luís desafiou os ministros da Economia e das Finanças a darem explicações, reconhecendo que o seu modelo falhou. Mas nem António Costa nem o Presidente da República lhe deram cobertura.

PR: “Só no final do ano 
é que se sabe se resultou”

Pelo contrário, Marcelo Rebelo de Sousa veio dizer no dia seguinte que “só no fim do ano é que se sabe se o Governo atingiu os objetivos que queria”. O Presidente continua a atravessar-se pelo défice de 2,5%: “Se tudo estivesse como está agora até ao fim do ano, conseguimos chegar aos 2,5% de défice, mas continuo a dizer que é preciso uma grande contenção orçamental”, afirmou.

Passos Coelho decidiu, neste contexto, incluir no seu discurso umas indiretas para o otimismo do Presidente. “Eu não seria tão categórico quanto o senhor Presidente da República. Não sei que dados é que ele tem. Nós só temos os dados que estão disponíveis, e eu não fico tão tranquilo.” O líder do PSD deixou claro que não cabe ao seu partido preocupar-se com a aprovação do próximo Orçamento do Estado nem com a apresentação de propostas para o melhorar. Pelo contrário, Passos aconselhou António Costa a “tirar o cavalinho da chuva” e insistiu que o PSD “não é parte negociadora”.