Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Marcelo recomenda leitura a Costa e Passos

  • 333

RICARDO CASTELO / LUSA

Presidente da República regressou ao Porto e inaugurou mais uma edição da Feira do Livro. E aproveitou para recomendar uma tetralogia de Elena Ferrante ao chefe do Governo e ao líder da oposição

Dois depois de ter visitado o Porto para atribuir as insígnias da Ordem de Mérito à seleção nacional de futebol, o Presidente da República regressou esta sexta-feira à Invicta para inaugurar mais uma edição da Feira do Livro. Apesar de dizer, em jeito de brincadeira, que “o dom da ubiquidade não entra nas características do estatuto presidencial”, Marcelo desdobra-se nas deslocações. Assinou livros e deixou recomendações literárias ao primeiro-ministro, António Costa, e ao líder da oposição, Pedro Passos Coelho.

“Não entendo que se possa ser governante sem se apostar na cultura”, frisou Marcelo Rebelo Sousa durante o discurso. “A falta de universo cultural é uma limitação para quem é servidor do povo e exerce responsabilidades cívicas”, reforçou o Presidente nos Jardins do Palácio de Cristal.

Questionado pelos jornalistas sobre que livros recomendaria a António Costa e Pedro Passos Coelho, Marcelo revelou que está a ler o primeiro volume de uma tetralogia de Elena Ferrante. “Já sugeri ao senhor primeiro-ministro, mas sugiro da mesma maneira ao líder da oposição. O primeiro-ministro disse que ia tentar ler e se o doutor Passos Coelho quiser ler, também é bom”, confidenciou o Presidente da República.

Sobre os motivos da sugestão, Marcelo Rebelo Sousa explicou que “dá um retrato da evolução da relação entre duas amigas e, no fundo, de uma geração ao longo de décadas”, para depois acrescentar que os responsáveis políticos “ganham em não lerem só política”.

À margem dos temas literários que esta sexta-feira o trouxeram até ao Porto, o Presidente abordou também a preparação do Orçamento de Estado para 2017. “Nesta altura o Governo deve ter pronto aquilo que depende dos debates internos. Vai discutir com a sua base de apoio parlamentar, depois terá de apresentar à Comissão Europeia e depois apresentar ao Parlamento a 15 de outubro”, explicou Marcelo Rebelo Sousa aos jornalistas.

Relativamente ao défice, Pedro Passos Coelho afirmou esta sexta-feira que fica mais “tranquilo” com as declarações do Presidente sobre a redução para 2,5%, mas não consegue ser “tão categórico” com os dados que conhece. “Talvez o Presidente da República disponha de mais informações do que eu disponho e que a generalidade dos portugueses dispõe", acrescentou durante uma visita à Feira Agrícola do Norte, na Póvoa de Varzim.

Confrontado com estas declarações, Marcelo Rebelo Sousa lembrou que “um dos princípios em democracia é que é natural que os líderes partidários comentem o que o Presidente da República diz. Já não é natural que o Presidente da República se pronuncie sobre aquilo que os líderes partidários dizem”.

O Presidente preferiu apelar à “convergência nacional” para alcançar a meta dos 2,5%. “Não pode ser apenas a vontade de um ou dois protagonistas, mas uma conjugação nacional que é muito importante”, sublinhou o PR.

Mas voltando à cultura, Marcelo Rebelo Sousa, depois de há dois dias ter recordado a cidade do Porto como “capital da liberdade”, esta sexta-feira descreveu-a como “capital da cultura”, porque, como explicou, “não há separação entre a liberdade e a cultura”.

Antes do discurso de Presidente da República, falou Rui Moreira que disse estar “reconhecido aos autore, editores, livreiros e alfarrabistas que confiaram na autarquia para levar a cabo este evento”.

Na opinião do autarca, a Feira do Livro do Porto é “um dos mais importantes acontecimentos” na Invicta e reforçou que “a cultura tem de ser um dos pilares da cidade e, mais do que isso, o seu cimento”.

A Feira do Livro do Porto foi hoje inaugurada e decorre até 18 de setembro. Ao todo, são 131 pavilhões, de 69 editoras, 26 livrarias, 16 alfarrabistas, 12 instituições e oito distribuidoras. Entre as estreias vão estar a icónica Livraria Lello, a Chiado Editora, a Ordem dos Arquitetos, o jornal Público e a editora espanhola Bubok.

O grande destaque vai para a homenagem ao escritor Mário Cláudio, numa edição que tem como tema “A Ligação”.

Um ciclo de cinema, exposições, um festival de ‘spoken word’, concertos de jazz ao pôr-do-sol, espetáculos de novo circo, música e dança, performances e programas para os mais novos vão encher de cultura os Jardins do Palácio de Cristal, nas comemorações dos 150 anos deste espaço.