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A festa em que se vê a força do PC

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rui ochôa

Há 40 anos foi um happening. Nunca o país tinha visto tantos espetáculos juntos e ao vivo. O “Avante!” ganhou projeção e o PCP fez da Festa uma prova de força e de capacidade de organização. Foi aqui que em Portugal começou o conceito de rentrée política. Que ninguém se iluda: é no “Avante!” que os comunistas marcam a sua agenda para o ano político que se inicia. E o deste ano, que começou esta sexta-feira, tem congresso e eleição de líder à vista

A Festa foi sempre maior do que o partido”, diz Ruben Carvalho. O histórico dirigente comunista e fundador da Festa do “Avante!” não tem dúvidas: os três dias que põem nos píncaros o jornal oficial do Partido Comunista ultrapassaram todas as expectativas. “Ninguém imaginou que resultasse tão bem”, diz ao Expresso. “Foi desmesurado” logo no arranque e não parou de crescer. Hoje continua a “compensar politicamente”, e economicamente nem se fala. “Foi sempre uma fonte de receita, sempre se pagou a ela própria e é a caixa de muitas das organizações do partido, sobretudo das mais longe de Lisboa.”

No início, em 1976, as coisas nem correram assim tão bem. Desde logo, foi preciso convencer o próprio PCP, em pleno tumulto do PREC, de que era uma boa ideia desviar energias da agenda política. “Normalmente, não se fazem revoluções com festas. Não era essa a linha do partido”, lembra Ruben Carvalho. Mas a imagem do que se passava em França, com o “L’Humanité” a organizar um megaevento, pesou na decisão. Em 1973, Ruben e Ary dos Santos foram a Paris. Viram Chuck Berry no festival do jornal oficial do Partido Comunista francês, que conseguia angariar as maiores vedetas mundiais: Genesis, The Who, Leonard Cohen ou os Pink Floyd foram alguns dos nomes que, nos anos 70, passaram pelos palcos da festa do “L’Humanité”. Os comunistas portugueses quiseram repetir o feito. “Foi uma ideia sobretudo do sector intelectual”, diz Ruben Carvalho. Houve algumas resistências internas, mas Cunhal aprovou a ideia, e foi quanto bastou. “Nem me lembro se o assunto chegou a passar pelo Comité Central”, diz o dirigente comunista.

Em setembro de 1976, a Festa teve luz verde para avançar, mas começou com sinais de mau augúrio. Uma chuva torrencial caiu sobre Lisboa, nas vésperas da abertura, inundando o recinto e obrigando a trabalhos forçados os milhares de voluntários que preparavam o recinto da antiga Feira das Indústrias, na Junqueira. Mas o pior estava para vir: dois dias antes da estreia, uma bomba colocada na cabina elétrica que garantia a energia aos dois hectares de espaço da feira deixou tudo às escuras. Mais trabalhos forçados.

Mas, à distância de 40 anos, ninguém dá muito relevo aos percalços. Nem em nota de rodapé o assunto deve ficar para a História. “Não correu mal”, lembra Ruben Carvalho. Mais bomba, menos enxurrada, o ânimo estava alto, e como os comunistas “são um bocado teimosos” o importante foi que a mensagem principal ficou dada. No discurso de encerramento, Álvaro Cunhal falou para uma multidão que se acotovelava e enchia como um ovo a praça exterior da FIL na Junqueira. O líder comunista recordou no seu discurso (mas apenas de passagem) o incidente que tentou fazer um apagão na iniciativa do PCP. “Que dizer quando o estrondo de um atentado miserável faz tremer as paredes da FIL e tranquilamente milhares de camaradas ficaram, serenamente, junto aos stands que pintavam ou decoravam?”, perguntava Cunhal. A resposta servia para um hino à glória comunista. “Meia hora depois, quando o esforço de outros camaradas fazia voltar a luz, continuaram as suas tarefas, dando uma grandiosa resposta aos que julgam intimidar ou destruir.”

A mensagem importante é a da capacidade organizadora dos comunistas, da “vontade dos que fazem uma festa com o mesmo ânimo que constroem um mundo novo”, diz Cunhal. Para que se perceba melhor, a “Festa do ‘Avante!’ é um testemunho vivo dos objetivos do nosso partido”, assume o líder histórico, para quem “esta capacidade de organização resulta da capacidade de organização da classe operária, que se organiza politicamente no PCP, a ele trazendo a sua consciência de classe, a sua capacidade de esforço, de trabalho, de organização”.

Nem bomba nem cheias. O importante, politicamente falando, é que os comunistas mostraram a sua garra. E, além disso, Cunhal sublinha que “o PCP está são, unido e firme como uma rocha”. Ficou dito.

Com a casa às costas

Os anos seguintes confirmaram a persistência e a resistência dos camaradas. Sem poiso certo para a Festa do “Avante!”, foram ‘desalojados’ da FIL e encontraram uma alternativa, primeiro, nos terrenos do Jamor. Ao todo eram 10 hectares de um hipódromo que, na verdade, nunca chegou a funcionar. Foi uma “odisseia”, lembra Ruben Carvalho. “A FIL tinha tudo, aqui não havia nada.” Partiram do zero, foi preciso desbravar terreno, construir estruturas estáveis, inventar. “Tivemos de descobrir muitas soluções”, entre as quais criar um sistema de construção em tubos e juntas, uma espécie de peças de Mecano adaptadas para erguer palcos, barracas, tendas gigantes... Tudo para montar e desmontar em pouco tempo.

“Sem a chave 22 não havia Festa”, lembra Ruben Carvalho, confirmando o ditado segundo o qual “o diabo está nos detalhes”. E aqui, no Jamor, os detalhes eram aos milhares de tubos, juntas, porcas e parafusos. Os voluntários pegavam naquela ferramenta básica e, entre atarraxar e desatarraxar, erguiam uma cidade. O inventor do sistema de construção efémera, mas segura, foi Fernando Vicente, engenheiro e histórico do PCP (que, em 2004, acabaria por bater com a porta do partido). Mas foi preciso tudo o resto. Ao todo, 50 mil horas de trabalho para montar dez palcos, estruturas elétricas, circuitos de canalização. “A instalação elétrica que fizemos gastava tanta energia como as Caldas da Rainha”, recorda Ruben Carvalho. Três padarias de Lisboa trabalharam exclusivamente para a Festa, que reuniu 700 artistas e uma assistência de meio milhão de pessoas.

A ideia, mais uma vez, foi transmitir uma mensagem política esmagadora. Mário Soares tinha ensaiado, através da “Onda Socialista”, dar uma resposta à capacidade de iniciativa do PCP. Mas a mobilização do PS em plena época balnear apenas chegou para fazer um comício numa “semideserta Praça de Touros da Figueira da Foz”, depois de uma sardinhada para 4 mil pessoas, como referia na altura o Expresso.

JUNQUEIRA. A primeira Festa do “Avante!” decorreu em recinto fechado, mas o comício foi cá fora. A organização contou 150 mil pessoas. Uma EP (Entrada Permanente) custava 50 cêntimos

JUNQUEIRA. A primeira Festa do “Avante!” decorreu em recinto fechado, mas o comício foi cá fora. A organização contou 150 mil pessoas. Uma EP (Entrada Permanente) custava 50 cêntimos

foto cedida pelo pcp

E como nem a sardinhas o PCP gosta de ficar a perder, Álvaro Cunhal avisou logo que “as sardinhadas que o PS organiza reúnem 4 mil pessoas ou talvez menos, e as muitas sardinhadas que possam fazer-se na Festa do ‘Avante!’ reunirão 200 mil pessoas ou mais”!

Os socialistas esqueceram para sempre a “Onda”, que não passou de um caso de verão, mas a Festa do “Avante!” também não fixou estacas no vale do Jamor. Depois de dois anos no terreno, passou, em 1979, para o Alto da Ajuda, em 17 hectares cedidos pela Câmara de Lisboa. A vista sobre o Tejo era magnífica, os acessos perfeitos, o espaço aumentado servia para alargar a ambição comunista. Mas foi um novo desafio à capacidade de organização. Desde logo porque “os problemas de dimensão complicaram-se muito em termos de som”, lembra Ruben Carvalho. Mal tiveram a ‘chave’ do terreno, os dirigentes do PCP foram fazer testes in loco. “Fui lá com numa camioneta, com uma extensão elétrica de 100 metros e um amplificador. Pedi para ligar a ficha num café da zona e fomos para o terreno. Pus um disco e afastei-me 50 metros: não se ouvia nada!”, recorda.

Portugal não conhecia nada igual, não havia nenhuma tradição de organizar espetáculos desta dimensão, muito menos equipamentos. Ruben meteu-se num avião e foi a Londres ver se encontrava uma aparelhagem de som à altura da nova Festa do “Avante!”. Nem informou o partido. Sabia que o assunto tinha de ser resolvido, e isso era o mais importante. Conseguiu. “Foi um verdadeiro acontecimento: o aluguer, o transporte, a chegada do material e dos técnicos ingleses”, recorda. Tudo uma novidade, uma modernice absoluta.

O partido não levantava questões. No início, ainda os jornais relatavam a existência de “duras críticas pelo alegado dispêndio de verbas em tempo de proclamada austeridade”. Mas se era claro que a Festa tinha “limites orçamentais”, também era óbvio que “sempre deu dinheiro”. “E, a partir daí, tudo se resolvia”, explica Ruben Carvalho.

JAMOR. Em 1977 e 1978, a Festa decorreu em 10 hectares, no vale do Jamor. Foi preciso inventar quase tudo, até mesmo o modelo de construção, em juntas e tubos, que permitiu erguer uma cidade provisória.

JAMOR. Em 1977 e 1978, a Festa decorreu em 10 hectares, no vale do Jamor. Foi preciso inventar quase tudo, até mesmo o modelo de construção, em juntas e tubos, que permitiu erguer uma cidade provisória.

d.r.

Durante sete anos, o Alto da Ajuda serviu de casa para a festa dos comunistas. Mas, em 1987, o então presidente da Câmara de Lisboa, Krus Abecassis, levantou problemas. Alegou que a primeira pedra para a construção das novas instalações da Faculdade de Arquitetura já tinha sido lançada e travou a iniciativa do “Avante!”. Só uma década mais tarde o polo universitário da Ajuda viria a funcionar, mas o autarca do CDS conseguiu — pela única vez na história da Festa — travar as pretensões do PCP. A Comissão Política comunista contestou a “decisão inqualificável, discriminatória e persecutória” e viu nela o dedo “reacionário do Governo Cavaco/PSD”. Mas nesse ano não houve direito a nada.

“Acabou por ter uma grande vantagem”, diz Ruben Carvalho. A falha de última hora, “finalmente, meteu na cabeça da direção que era preciso um terreno próprio”. Nos dois anos que se seguiram, o PCP jogou pelo seguro e procurou ‘abrigo’ numa autarquia comunista. Loures serviu como uma luva para a continuação da Festa e para os apelos à generosidade dos militantes para que reunissem donativos suficientes para a compra de um terreno digno.

Em 1989, Cunhal usava o microfone da Festa do “Avante!” para dar a boa-nova. “Até de helicóptero foram feitas prospeções em torno de Lisboa”, e a solução encontrada ficava no Seixal, tinha 25 hectares e chamava-se Quinta da Atalaia. “É um terreno bonito, formoso, junto ao rio, que tem urbanização, e pensamos que as festas que aí iremos realizar terão condições para ser belíssimas festas, num ambiente aprazível, onde nos sentiremos bem, além do mais porque ninguém nos pode tirar de lá”, disse. O terreno custou 750 mil euros. O partido pagou tudo.

Política, política e mais política

A Festa do “Avante!” tem arte, música, teatro, dança. Mas é a política que lhe está no sangue. Será mais um dos legados de Álvaro Cunhal que Ruben Carvalho explica de forma cristalina: “De um modo geral, os dirigentes dos partidos divulgam a orientação através de comentários, de artigos, de entrevistas. Cá fazem-se discursos.” E ter um palco gigantesco ajuda a amplificar a mensagem. “É-se mais ouvido”, explica Ruben. O líder comunista faz sempre “um discurso programático” na Festa do “Avante!”. Dá sinais, orientações de estratégia, recados internos. Os adversários políticos e os militantes devem estar atentos.

Foi na Quinta da Atalaia que Cunhal deu sinais importantes na vida interna do PCP. Em 1991, por exemplo, surgiu sempre ao lado de Carlos Carvalhas, que já tinha chamado, um ano antes, para seu adjunto na direção. Foi o tempo da queda do Muro de Berlim e dos arranques da perestroika. Por cá, o país vivia o auge do cavaquismo.

Em 1988, em Loures, até houve espaço para instalar uma roda gigante

Em 1988, em Loures, até houve espaço para instalar uma roda gigante

foto Luís Ramos

Cunhal cerrou fileiras e, mais uma vez, invocou a força que a Festa do “Avante!” transmitia ao mundo. “Esta é a resposta ao anticomunismo de primeiro, de segundo e de terceiro graus que para aí campeia e que ganhou virulência, estímulo e pretexto nos acontecimentos verificados nos países do Leste da Europa e, ultimamente, nos acontecimentos e evolução da situação na União Soviética.” Mas que ninguém se desvie da linha oficial. “O comunismo não morreu nem morre”, garante Cunhal. Porquê? “Porque é a realidade objetiva que lhe dá necessariamente vida e o torna sonho, projeto e ação transformadora.”

No ano seguinte, os comunistas preparavam novo congresso para o final de 1992. E é na Festa que surgem os sinais claros de que há uma mudança iminente. Primeiro, por ser Carlos Carvalhas o escolhido para o discurso de abertura do “Avante!”. Depois, porque Cunhal fecha a Festa com uma declaração de intenções. “As gerações passam, o testemunho é transmitido, e o PCP continua como o grande partido comunista que sempre foi e quer continuar a ser.” Dois meses depois, Carlos Carvalhas chega a secretário-geral.

Seria o último discurso de Cunhal na Festa do “Avante!”. O líder histórico abandonou o comando, mas não sem antes deixar traçada a estratégia para o futuro próximo, que caberia a Carvalhas executar. Era preciso acabar à nascença com “conflitos e divisões daquilo que alguns chamam, e gostariam que existisse, segunda, terceira, quarta ou mais vias”. Cunhal não tinha dúvidas de que só havia um caminho: “A via da ação e da luta que o coletivo partidário e o congresso decidirem.” Era um recado para os críticos, que começavam a levantar a voz no interior do PCP e ameaçavam a ortodoxia reinante. Já quanto ao plano internacional, a correção do discurso permitia lançar uma nova luz sobre os acontecimentos na ex-União Soviética. “As grandes derrotas na URSS e nos países do Leste da Europa não devem fazer esquecer as grandes realizações revolucionárias e progressistas alcançadas nesses países”, sublinha Cunhal. É a primeira menção a uma falha no modelo comunista. Mas é tudo. O descalabro a Leste “não pode ser atribuído ao fracasso dos ideais do projeto comunista, mas sim ao fracasso de ‘um modelo’ que em aspetos essenciais se afastou dos ideais comunistas sempre afirmados e proclamados, mesmo quando desrespeitados”.

Carvalhas cumpriu bem a tarefa delineada pelo líder histórico. Nem mesmo quando os renovadores surgiram nas fileiras do PCP a denunciar o clima de suspeição, a reclamar mais democracia interna e o fim da “caça ao inimigo interno”, o novo secretário-geral vacilou. A direção comunista expulsou os dissidentes, que fizeram eco das suas críticas na comunicação social, enquanto, anualmente, na Quinta da Atalaia, Carvalhas ia lançando farpas. Em 2002, preferiu saudar os militantes anónimos que “sem o palco nem o estrelato organizam a resistência, levam a voz do partido aos locais de trabalho” e contestam “os que gostariam que o PCP estivesse apático, desmotivado e desmobilizado”.

antónio pedro ferreira

LIDERANÇA. A Festa serve também para afirmação da direção comunista. Em 1991, Carvalhas surge sempre ao lado de Cunhal, que viria a substituir no ano seguinte. Em 2002, também no Seixal, Jerónimo tem lugar de destaque. Dois anos depois, seria ele o secretário-geral do PCP

LIDERANÇA. A Festa serve também para afirmação da direção comunista. Em 1991, Carvalhas surge sempre ao lado de Cunhal, que viria a substituir no ano seguinte. Em 2002, também no Seixal, Jerónimo tem lugar de destaque. Dois anos depois, seria ele o secretário-geral do PCP

rui ochôa

Foi também no “Avante!” que Carvalhas disse não querer “dar mais para esse peditório” dos renovadores comunistas. Foi na Festa que prometeu que o PCP e os seus militantes “continuarão a agir e a intervir pelos valores de Abril e para que uma visão mais real sobre a sua identidade, características e projeto triunfe sobre as intrigas, os golpes baixos e mesquinhos, as caricaturas e deturpações preconceituosas que enfrentamos”.

Mas, ao contrário de Álvaro Cunhal, Carlos Carvalhas não anunciou na Festa do “Avante!” qualquer intenção de abandonar a liderança. Em 2004, subiu ao palco para encerrar a Festa sem dar sinal de estar de saída. Referiu o congresso do PCP, previsto para dezembro, como uma reunião aberta “aos novos tempos, dando respostas às novas realidades”. Falou de um “partido firme e convicto na luta do presente, de olhos postos no futuro”, mas não deu qualquer indicação sobre o que viria a anunciar exatamente um mês mais tarde: a saída de secretário-geral, “natural e sem dramatismos”, porque “chega um momento em que é preciso uma pessoa dosear as forças que tem”.

Jerónimo de Sousa estreou-se nos discursos oficiais da Festa do “Avante!” em 2005, nove meses depois de ter sido catapultado para a liderança comunista. Foi um annus horribilis para o PCP, com a morte de Álvaro Cunhal, seguida pela de Vasco Gonçalves. Já para não falar na mudança de liderança. O novo secretário-geral fez as honras devidas aos dois históricos desaparecidos, mas nem uma referência a Carvalhas. O partido virou a página, e o novo líder reafirmou os votos na “natureza operária” do PCP, na sua “base teórica do marxismo-leninismo, assumido em toda a sua conceção materialista e dialética”. E, para que dúvidas não restassem, manteve intocável o objetivo de “construção do socialismo e do comunismo, de uma nova sociedade liberta da exploração do homem pelo homem”.

Há 11 anos que é assim. No mesmo sítio, com o mesmo líder, a Festa do “Avante!” estabelece o programa político dos comunistas para o ano que se segue. Desta vez, com ainda mais sete hectares de terreno ocupado, Jerónimo vai subir ao maior palco de sempre de um dirigente do PCP. A dois meses do congresso, poderá, finalmente, dar sinais do que pretende fazer. Continuar para mais um mandato como secretário-geral? Designar um número dois? Sair e dar lugar ao próximo? O microfone é todo dele. Veremos o que faz com ele.

Artigo publicado na edição do EXPRESSO de 27 agosto 2016