Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Carlos Moedas defende Europa aberta e forte

  • 333

Comissário europeu alertou para que é preciso que as pessoas acreditem cada vez mais na Europa

O comissário europeu Carlos Moedas defendeu hoje uma Europa "aberta" e forte, considerando que a decisão tomada sobre a recuperação de impostos não cobrados à Apple foi "corajosa".

"[Uma empresa] pode estar na Europa mas tem de pagar impostos como as outras empresas, não pode estar aqui por uma questão de não apenas pagar impostos. Esta decisão foi muito corajosa e é uma decisão importante para a Europa e mostra que a Europa está forte", afirmou Carlos Moedas, em declarações aos jornalistas no final de uma ‘aula' da Universidade de Verão do PSD, que decorre até domingo em Castelo de Vide.

A Comissão Europeia concluiu na terça-feira que a Irlanda concedeu benefícios fiscais ilegais à Apple, ordenando a Dublin que recupere 13 mil milhões de euros à empresa tecnológica norte-americana por impostos não cobrados entre 2003 e 2014. Dublin e a Apple já anunciaram, entretanto, que vão recorrer da decisão.

A necessidade de uma Europa forte e aberta foi, aliás, uma das mensagens deixadas pelo comissário europeu aos ‘alunos' da Universidade social-democrata, com Carlos Moedas a recusar a ideia defendida pelos populistas de "fechar a Europa".

"A guerra política que temos na Europa é entre aqueles que querem fechar a Europa e aqueles que querem abrir a Europa", disse ainda dentro da ‘aula'.

Cá fora, aos jornalistas, Carlos Moedas recuperou a mensagem defendendo que é preciso que as pessoas acreditem cada vez mais na Europa.

"Vivemos num mundo em que a Europa se está a fechar, em que os partidos políticos populistas pensam que é fechando a Europa, tornando-a mais protecionista que vamos ter uma vida melhor", disse.

Contudo, acrescentou, é precisamente assinando tratados comerciais com os Estados Unidos da América ou o Canadá que se pode criar mais riqueza para o futuro.

"A Europa vive um momento difícil, nós vivemos um momento de populistas e de extremistas e não nos podemos deixar levar por isso", sublinhou.

Questionado sobre a questão da suspensão dos fundos europeus a Portugal, o comissário europeu evitou falar de política nacional, mas recordou que a suspensão dos fundos é um automatismo que é acionado quando os países não cumprem as metas.

"Se Portugal continuar a cumprir em termos de orçamento, em termos de números isso não será uma questão", enfatizou, acrescentando que a questão da suspensão dos fundos será discutida entre o parlamento e a comissão e, até essa discussão, não existe nenhum dado concreto.

Interrogado se partilha a expetativa otimista do primeiro-ministro sobre o cumprimento das metas, Carlos Moedas evitou novamente falar sobre política interna, referindo que a comissão quer que "tudo corra bem" e que a sua missão é "ajudar os países e estar sempre ao lado dos países para que tudo possa correr bem".

"Portugal merece que tudo corra bem e que os resultados sejam melhores", frisou.