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Poiares Maduro compara Governo português ao “populismo” polaco e húngaro

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Foto:Goncalo Rosa da Silva

O ex-ministro acusa a coligação que governa atualmente Portugal de ter adoptado “um discuso político que é demagógico e improdutivo porque no final do caminho só oferece um bode expiatório”

O ex-ministro Miguel Poiares Maduro classificou esta quarta-feira o Governo como “um caso híbrido de populismo”, lamentando que Portugal esteja entre os quatro países da Europa onde partidos populistas já chegaram ao poder.

“Hoje temos partidos populistas que estão no poder já, de direita, como na Polónia e na Hungria, mas partidos populistas de esquerda também no poder, na Grécia e, em Portugal, se quiserem chamemos-lhe um caso híbrido de populismo. Eu não gosto de ver Portugal incluído nestes quatro exemplos de discurso e prática populista dominante na Europa”, afirmou o antigo ministro adjunto e do Desenvolvimento Regional do Governo de coligação PSD/CDS-PP de Passos Coelho.

Falando perante os 'alunos' da Universidade de Verão do PSD, que decorre até domingo em Castelo de Vide, Poiares Maduro deixou alertas sobre "o discurso político que em vez de soluções fala de bodes expiatórios".

“É um discurso político que é demagógico e improdutivo porque no final do caminho só oferece um bode expiatório. Esse discurso politico está hoje dominante na coligação que governa o país e é um discurso político que tem como marca fundamental colocar a estratégia política à frente da realidade que o pais vive”, disse. É um discurso político em que, acrescentou, “a política se transforma em populismo”.

“E o problema do populismo é que não oferece soluções, só oferece culpados”, vincou, considerando que os populistas captam os medos e receios das pessoas e exacerbam-nos sem os solucionar.

Admitindo que fazer política assente no realismo “pode parecer pouco sexy” politicamente, Poiares Maduro recusou que isso tenha que ver com o abandono dos ideais.

“A nossa ação política deve ser alimentada pelos nossos desejos, mas as alternativas e as propostas que propusermos têm de ser assentes no que podemos. É importante desejar, sonhar, é importante ter ideais, mas é importante perceber que tentar promover esses ideais fora da realidade só nos vai tornar ou demagogos ou, no pior dos casos, é aquilo que conduz ao autoritarismo, é aquilo que conduz à tirania”, sustentou.

Na ‘aula’ que tinha como tema o que é ser social-democrata, o antigo ministro falou ainda da “excessiva proximidade” entre poder político e poder económico e lembrou a intervenção do primeiro-ministro nas negociações entre os espanhóis do CaixaBank e a Santoro de Isabel dos Santos em torno do BPI.

Ressalvando que não considera que nesse caso tenha existido “algo mais oculto ou de finalidade perversa”, Poiares Maduro sustentou que o problema é que no médio e longo prazo essa forma de intervenção gera “uma cultura de proximidade muito próxima da promiscuidade e uma dependência entre sistema político e económico que é muito mais prejudicial do que as vantagens imediatas”.

“Foi essa cultura política que levou aos problemas que todos conhecemos de BES, PT”, lembrou, argumentando que se um Governo num dia pede um favor, até com a melhor das intenções, a um acionista privado ou empresário, na semana seguinte esse empresário vai estar à porta do executivo a pedir um favor em troca.

As críticas do atual Governo sobre os atrasos na execução dos fundos comunitários mereceram também uma palavra de Poiares Maduro que assegurou que “não têm a mínima adesão com a realidade”, explicando que se existem atrasos é porque as empresas decidiram não executar todos ou parte dos seus projetos ou porque há atrasos no pagamento das faturas pelas entidades que gerem os fundos.