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Marcelo quer fazer tudo neste mandato (mas não deu aquele mergulho nas Selvagens...)

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GREGÓRIO CUNHA / LUSA

Rebelo de Sousa visitou a Selvagem Grande, onde almoçou espetada. Foi a primeira vez que um Presidente esteve no subarquipélago durante o primeiro mandato. Sinal de que não haverá segundo? Marcelo quer fazer tudo nestes cinco anos, mas deixou passar a oportunidade de um mergulho nas Selvagens

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

Antes de Marcelo Rebelo de Sousa já três Presidentes da República visitaram as Selvagens. Soares foi o primeiro, e até esteve nas ilhas antes de Alberto João Jardim, para grande irritação do então presidente do Governo Regional; Sampaio também esteve na Deserta Grande, já com Jardim ao lado; Cavaco foi o primeiro a pernoitar neste território. Todos tiveram um ponto em comum: puseram pé nas Selvagens apenas durante o segundo mandato.

Marcelo, que gosta de ser original, foi o primeiro PR a desembarcar nas ilhas Desertas, segunda-feira, mas nas Selvagens só teve a originalidade do timing político – voou até às Selvagens logo no início do primeiro mandato. Porquê a pressa?, quiseram saber os jornalistas, esta terça-feira, depois de o chefe de Estado fazer o trilho desde o planalto onde aterrou o helicóptero da Força Aérea e a casa, à beira-mar, onde ficam os vigilantes e a Polícia Marítima. A caminhada foi em passo rápido, quase sem tempo para o chefe de Estado observar uma cagarra de dois meses que estava aninhada à beira do trilho – o diretor do Parque Ecológico da Madeira, Paulo Oliveira, bem estendeu o bicho para o Presidente, mas este - talvez com a memória viva do desvelo com que Cavaco, há três anos, quase beijou uma cagarra – ficou sempre a uma distancia de segurança, com as mãos atrás das costas, e sem afeto para dar às aves. Logo que pôde, fez-se outra vez ao caminho. Mais uma vez, ficava uma sensação de urgência...

“Não, não há nenhuma urgência”, garantiu o PR sobre uma visita tão prematura às ilhas que marcam o ponto mais a sul de Portugal. “Corresponde à minha ideia de proximidade, e como estou a acelerar um pouco mais o ritmo da proximidade, é natural que tenha sido mais rápida a vinda aqui”, explicou Marcelo, o acelerado.

Será que a visita às Selvagens no primeiro mandato é a forma de antecipar a eventualidade de Marcelo cumprir apenas um mandato e, mais uma vez, ser diferente dos seus antecessores? “Eu não antecipo coisa nenhuma, tenho um mandato para que estou eleito, tenho de fazer tudo o que puder nesse mandato”, respondeu o PR. “Não estou à espera de um segundo mandato para fazer o que não consegui fazer no primeiro. Sou livre, tenho as mãos livres num único mandato para fazer exatamente o que entender que devo fazer sem pensar em recandidaturas. Do mesmo modo não penso ‘isto não faço agora, fica para daqui a seis ou oito anos’. Não. Tudo o que tiver de ser feito é feito em cinco anos.”

“Os cargos têm um preço”: não nadar

Apesar desta determinação de não deixar para amanhã o que pode fazer hoje, Marcelo deixou passar a oportunidade de dar um mergulho nas águas convidativas das Selvagens. Enquanto falava à comunicação social, já Miguel Albuquerque, o presidente do Governo Regional, e Marcos Perestrelo, o secretário de Estado da Defesa, se tinham posto de calções e mergulhado no Oceano Atlântico.

Quando se deu conta do que estava a perder, Marcelo, que até nem é “disso”, confessou estar com uma pontinha de inveja. “Uma pontinha, não, muita inveja”, corrigiu. “Mas, sabe”, explicou ao Expresso, “os cargos têm um preço. Numa visita oficial, não podia um Presidente de repente tirar a roupa e mergulhar. Isso seria ortodoxia em excesso”. Até para Marcelo.