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Marques Mendes: Houve “favores políticos” e “interferências partidárias” na concessão de crédito na CGD

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O comentador da SIC defende que, em relação à recapitalização da Caixa Geral de Depósitos, ainda é preciso “saber como chegámos aqui” e dar resposta a algumas perguntas. Sobre a CGD, Marques Mendes deixa críticas ao PCP e BE, por um lado, e ao PSD e CDS, por outro

Luís Marques Mendes voltou este domingo ao tema da Caixa Geral de Depósitos, defendendo que o fecho do processo de recapitalização não encerra a discussão sobre a Caixa. "Falta saber como chegámos aqui. Falta é saber quem são os responsáveis pela concessão desses empréstimos que deram estes buracos", afirmou no seu habitual comentário na SIC, este domingo, defendendo terem existido "favores políticos" e "interferências partidárias".

O antigo líder do PSD é claro em relação à sua leitura sobre o "buraco" na Caixa. "Acho que este buraco tem muito a ver sobretudo com o período entre 2005 e 2010, em que foram concedidos financiamentos que nunca deveriam ter sido concedidos, em que foram aprovadas operações de crédito sem garantias eficazes."

Marques Mendes defende a importância de ser feita uma investigação. "Não tenho nenhuma dúvida, mas é bom que seja investigado e seja tudo esclarecido, que no meio disto houve favores políticos e provavelmente algumas interferências partidárias", afirmou.

Há quatro perguntas a que importa dar resposta, na sua opinião. "Quem são os responsáveis pela concessão desses empréstimos que deram estes buracos? Quais são as operações de maior valor ou que têm maiores perdas? Quem são os beneficiários? Por que foram concedidos e por que não foram asseguradas garantias?"

O comentador da SIC lembrou que para além da comissão de inquérito parlamentar sobre a Caixa, o Governo aprovou em Conselho de Ministros uma auditoria forense à CGD.

Mendes deixa críticas ao PCP e ao Bloco de Esquerda. "O exemplo da Caixa é mesmo o exemplo que mostra que o PCP e o BE mudaram radicalmente. É fruto das circunstâncias", afirmou. "Hoje são apoiantes do Governo. Têm um pé fora e um dentro." Na opinião de Marques Mendes, PCP e BE "fazem algumas divergências no discurso, mas na ação estão concertados" com o PS.

Mas o antigo líder dos sociais democratas defende também que as críticas do PSD e CDS ao processo de recapitalização da Caixa "não fazem sentido". Percorrendo os diferentes casos na banca, o comentador argumenta que PSD e CDS "andaram a varrer para debaixo do tapete" os problemas. "Em matéria de sistema financeiro, deixaram muito a desejar. Há que dizer que este Governo tomou conta de um dossiê difícil."

Nomes para as autárquicas

O comentador falou ainda das próximas eleições autárquicas, para as quais já vão sendo avançados alguns nomes. Na sua opinião, Assunção Cristas deverá "mais semana, menos semana" apresentar-se como candidata à Câmara Municipal de Lisboa. "Acho que da parte dela é uma jogada política de grande alcance, não tem nada a perder."

Já quanto à eventualidade de Cristas vir a ter o apoio do PSD, Marques Mendes acha que os contactos que têm vindo a ser feitos "não vão dar em nada", concluindo que "seria um suicídio coletivo." Isto porque, assim, o PSD, "que já tem dificuldades no Porto", não teria candidato próprio em Lisboa. "Apoiar um candidato de outro partido dava uma certa descaracterização."

Candidato do PSD a Lisboa? "A solução claramente preferida pelo PSD é Santana Lopes", responde, considerando que ainda tem "fôlego político", embora reste saber se tem "vontade e disponibilidade". Em alternativa, Mendes fala nos nomes de Jorge Moreira da Silva, José Eduardo Martins ou, num palpite seu, Maria Luís Albuquerque.