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CGD: Louçã dá os parabéns ao Governo por ter a Caixa pública a 100%

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José Caria

O antigo coordenador do Bloco de Esquerda elogiou o Governo pela “grande vitória”, considerando que o plano de recapitalização “é a solução correta, depois de um processo muito difícil”. Louçã deixa, no entanto, duras críticas à posição do Banco Central Europeu e da Comissão Europeia

O antigo coordenador do BE Francisco Louçã deu este sábado os parabéns ao Governo pela "grande vitória" de ter a Caixa Geral de Depósitos 100% pública, acusando o Banco Central Europeu e a Comissão Europeia de estarem ao serviço de interesses particulares.

Em declarações aos jornalistas à margem do fórum Socialismo 2016, a 'rentrée' política do BE, Francisco Louçã foi questionado sobre o plano de recapitalização da Caixa Geral de Depósitos (CGD), relativamente ao qual o Governo chegou esta semana a acordo com a Comissão Europeia. Louçã começou por afirmar que esta "é a solução correta, depois de um processo muito difícil" e que "é gravíssimo que a União Europeia e o Banco Central Europeu tenham arrastado durante seis meses este processo".

"O Governo conseguiu uma grande vitória e dou-lhe os parabéns por ter a Caixa pública a 100%, sem que isto seja posto em risco. É uma grande vitória que a União Europeia não queria aceitar", enfatizou.

Esperando agora para ver os detalhes deste processo, o antigo líder bloquista não poupa nas críticas às instituições europeias: "o Banco Central Europeu e a Comissão Europeia portaram-se muito mal porque mostraram que estão ao serviço de interesses particulares quando deviam cumprir normas iguais para todos".

A recapitalização da Caixa, na opinião de Louçã, "era necessária e é muito útil que ela seja realizada em condições que garantam a Caixa pública".

"As condições - que ainda não são totalmente conhecidas - implicam nomeadamente uma redução da atividade da Caixa no estrangeiro com perdas de postos de trabalho, o que é um abuso por parte das autoridades europeias", lamentou.

Segundo o bloquista, "Portugal tem o direito de escolher o seu banco, com a sua atividade, junto das suas comunidades emigrantes sem qualquer imposição de restrições por parte do Banco Central Europeu ou da Comissão Europeia, que aliás só pretende favorecer, neste caso, a banca espanhola", considerando que "isso é batota".

Apesar dos elogios ao Governo pelo acordo, Louçã criticou a atuação do Executivo "ao aceitar uma condição da nova administração" que era a proposta de um conselho de administração de 19 elementos, com uma representação empresarial, não aceitando que se faça "uma lei à medida da vantagem dos salários dos principais administradores porque as leis não se fazem à medida de pessoas".

"Para Portugal é uma vitória, a CGD podia ter ficado muito mais sólida e muito mais forte se não se tivesse arriscado a estes incidentes de percursos que foram negativos", resumiu.

Questionado sobre as negociações do Orçamento do Estado para 2017, Louçã disse apenas que Portugal precisa de "uma boa solução" que garanta que os acordos que o BE e o PCP fizeram com o Governo "sejam integralmente cumpridos, a bem dos salários, das pensões e da economia".