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CDS: recapitalização da Caixa foi um processo “longo, tortuoso e lamentável”

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Luís Barra

A líder do CDS considera que ainda existem “muitas perguntas que têm de ser respondidas” quanto ao processo de recapitalização da Caixa Geral de Depósitos

A líder do CDS, Assunção Cristas, afirmou hoje, nos Açores, que o processo de recapitalização da Caixa Geral de Depósitos (CGD) foi "longo, tortuoso e lamentável" do ponto de vista da condução política, havendo ainda muitas perguntas por responder.

"Todo esse processo foi longo, tortuoso e lamentável", disse Assunção Cristas, manifestando a esperança de que o mesmo "possa encarreirar", apesar de haver ainda "muitas perguntas que têm de ser respondidas".

A líder do CDS falava à chegada ao porto de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, depois de ter acompanhado, no barco "Fábio e Fabiana", uma manhã de pesca à lula, acompanhada pela cabeça de lista do partido pela maior ilha açoriana às eleições regionais de 16 de outubro, Ana Afonso.

Na quarta-feira, a Comissão Europeia chegou a um acordo de princípio com o Governo português para a recapitalização da Caixa Geral de Depósitos (CGD).

O ministro das Finanças, Mário Centeno, disse, na quarta-feira, que "o plano de reestruturação foi aceite na íntegra pela Comissão Europeia e pelo Banco Central Europeu (BCE)", realçando que os moldes do acordo alcançado entre o Governo português e a Comissão Europeia sobre a recapitalização CGD, que garantem que a entidade permaneça 100% pública, são ímpares a nível europeu.

Assunção Cristas recordou que, há meses e por várias vozes, o CDS tem perguntado ao Governo "questões básicas" sobre como vai ser feita a recapitalização, qual o valor, quais os impactos na CGD do ponto de vista dos funcionários e da atividade do banco.

"Esta semana houve algumas respostas do acordo de base firmado pela Comissão Europeia (com o Governo português), mas nós continuamos a ter muitas questões para serem respondidas", referiu Assunção Cristas, alegando que o CDS já pediu a presença do ministro das Finanças no parlamento.

Apesar de já ter ouvido o Primeiro-ministro dizer que "está tudo a correr muito bem" e que a recapitalização da CGD "não terá impacto no défice", Assunção Cristas assegurou que "vai ser preciso financiar esses montantes com dívida e dívida quer dizer que alguém vai ter de pagar mais cedo ou mais tarde".
Para a líder dos centristas isso é "preocupante", tanto mais que "a dívida pública portuguesa está a crescer de forma significativa, quando deveria estar a decrescer".

Quanto a escolha dos nomes para administrar a CGD, Assunção Cristas considerou que todo o processo deixou muito a desejar, esperando que "não haja mais episódios".