Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Santana Lopes: acordo para recapitalização da CGD foi uma “geringonça”

  • 333

Luís Barra

Em entrevista à Renascença, Santana Lopes considera que por trás do acordo com as instituições europeias para a recapitalização da Caixa Geral de Depósitos está a “inspiração política” de António Costa para procurar “soluções engenhosas”

O acordo entre as institituições europeias e o Governo sobre a recapitalização da Caixa Geral de Depósitos é mais uma "gerigonça" de António Costa, disse esta sexta-feira o ex-primeiro-ministro Santana Lopes, em entrevista à Renascença. Em causa está o facto de Costa ter conseguido um entendimento que permite injectar liquidez no banco público sem ser considerado uma "ajuda de Estado".

"Vamos de geringonça em geringonça, construindo várias soluções um pouco surpreendentes. Há aqui uma marca indelével do primeiro-ministro. Parece haver ao menos a sua inspiração política de procurar construir soluções engenhosas", afirmou o ex-primeiro-ministro na Renascença, no programa de debate semanal com António Vitorino.

Santana Lopes considera que o atual Governo decorre "numa lógica funcionalista", sempre à procura de soluções, mas elogia a lógica por trás do acordo conseguido com Bruxelas e Frankfurt. "De facto foi um acionista a capitalizar o seu banco nos mesmos termos em que um privado o faria. Tem a sua lógica. É curioso que a oposição em Portugal veio pôr a questão sobre o custo da reestruturação ao nível dos balcões e do pessoal. Esta questão agora resolvida foi dada em certa medida como encerrada. E positivamente para Portugal."

Para o antigo presidente do PSD, por trás desta lógica e da negociação está a "inspiração política" de António Costa. Mas deixa uma referência ao ministro das Finanças, Mário Centeno.

"Devo dizer que o ministro das Finanças acaba de conseguir ele próprio um resultado que não se esperava. Se é responsável pelo mau, [aqui] o resultado final da negociação é positivo. Mas parece-me que há muito de António Costa nesta negociação", afirmou à Renascença.

Esta quarta-feira, Mário Centeno explicou que a injeção direta de até 2,7 mil milhões de euros pelo Estado na CGD deverá ocorrer ainda este ano, obrigando a um orçamento retificativo.

O ministro das Finanças disse que o montante a colocar no banco está dependente da realização de uma auditoria externa a encomendar pela CGD, Comissão Europeia e pelo Governo. O montante da capitalização determinará um aumento de dívida pública e, sendo feito ainda este ano, implicará um orçamento retificativo.

Mas o mais relevante foi o facto de se ter conseguido que a Direção-Geral de Concorrência da União Europeia (DGComp) aprovasse a operação sem a considerar ajuda de Estado. Como tal, não haverá impacto no défice.