Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Marcelo sobre as agressões em Ponte de Sor: “Assunto foi conduzido pelo governo de forma irrepreensível”

  • 333

NUNO ANDRÉ FERREIRA/ Lusa

Presidente da República felicitou o trabalho “de todas as autoridades portuguesas” envolvidas no caso da agressão a Ruben Cavaco. PGR quer ouvir como arguidos os dois filhos do embaixador do Iraque, Portugal já pediu levantamento da imunidade

Marcelo Rebelo de Sousa mostrou-se satisfeito com trabalho relativo à investigação da agressão a Ruben Cavaco, 15 anos. Em declarações aos jornalistas, o Presidente da República disse esta quinta-feira “que tudo o que deveria ser feito foi feito”.

“Acho que [o caso] foi conduzido pelo Governo de forma irrepreensível”, considerou Marcelo. “Quem tem de investigar é o Ministério Público e não o Governo”, acrescentou.

O Presidente lembrou que o pedido de levantamento da imunidade diplomática só poderia acontecer após a investigação do Ministério Público , que “decorreu em tempo recorde”.

Na madrugada de 17 de agosto, Ruben Cavaco foi agredido e sofreu múltiplas fraturas. O jovem continua com prognóstico muito reservado e está internado nos cuidados pediátricos do Hospital de Santa Maria, em Lisboa.

Haider e Ridha, 17 anos, filhos gémeos do embaixador do Iraque em Portugal, confessaram em entrevista à SIC que agrediram Ruben Cavaco, mas sustentaram que o fizeram em legítima defesa.

Esta quarta-feira, a Procuradoria-Geral da República pediu ao Ministério dos Negócios Estrangeiros “a ponderação de intervenção no âmbito diplomático, ao abrigo da Convenção de Viena Sobre Relações Diplomáticas”, para que Estado iraquiano renuncie “expressamente à imunidade diplomática” de que beneficiam os gémeos.

Durante o inquérito-crime, a Polícia Judiciária terá recolhido elementos de prova que apontam para existência de “factos suscetíveis de integrarem o crime de homicídio na forma tentada” de Rúben Cavaco, de 15 anos. No comunicado a PGR, explica que só levantando a imunidade será possível ouvir em interrogatório os dois suspeitos enquanto arguidos.

O pedido foi aceite pelo MNE, que já na tarde desta quinta-feira entregou à embaixada do Iraque o pedido de levantamento da imunidade numa reunião que teve lugar no Palácio das Necessidades e contou com a presença do encarregado de Negócios da Embaixada do Iraque e o embaixador Chefe do Protocolo de Estado português.

“Nessa reunião, foi entregue pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros o pedido de levantamento da imunidade diplomática com os fundamentos e para os efeitos comunicados pela Procuradoria-Geral da República, sobre o qual as autoridades iraquianas terão agora de se pronunciar”, informou o MNE em comunicado.