Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

So Long, Margarida. Por Maria José Morgado

  • 333

Rui Ochôa

A magistrada Maria José Morgado escreve, “com atraso de seis anos”, uma carta a Margarida de Sousa Uva, que morreu quinta-feira, vítima de cancro. “Talvez agora alguém por ti receba este meu longo adeus de saudade e amizade eterna”

Maria José Morgado

Há coisas que só se fazem uma vez na vida, como escrever uma carta com atraso de seis anos, depois de ter sabido da tua morte.

Conheci-te nas lutas estudantis maoístas, éramos duas estudantes radicalizadas pelo desejo fanático de um mundo melhor e eu gostava muito de ti. Acreditávamos no impossível, éramos ridículas, felizes e ninguém ia morrer. Os nossos sonhos eram eternos.

A vida separou-nos, nunca mais falámos, embora eu adivinhasse pelo teu sorriso público que continuavas a mesma. Tive essa confirmação numa longa carta que me escreveste quando o Zé Luís morreu. Uma carta à antiga, daquelas em papel branco com muitas folhas, onde falavas dos tempos antigos. Terminavas a dizer-me que não era para eu responder, era assim um adeus a um velho amigo, de resposta impossível. Quis responder-te muitas vezes, nunca me esqueci da carta e nunca consegui responder. Era aquela história do papel, a dúvida sobre o endereço no envelope, a eternidade dos sentimentos indizíveis, a saudade.

Respondo-te agora, fora do tempo como sempre e sem conseguirmos falar como sempre. Talvez agora alguém por ti receba este meu longo adeus de saudade e amizade eterna.

  • Um beijo, Guida

    Margarida de Sousa Uva morreu esta quinta-feira, vítima de cancro. Luísa Meireles, redatora principal do Expresso, escreve-lhe uma carta de despedida - eram amigas e foram colegas de liceu

  • Uma mulher sem “preconceitos”

    Há três anos, numa altura em que a coadoção dividia os deputados em plena Assembleia da República, Margarida de Sousa Uva foi ao Parlamento participar numa conferência sobre apoio à criança, onde saiu em defesa da aprovação dessa lei. No dia da morte da mulher de Durão Barroso, o Expresso republica um trabalho sobre esses tempos

  • Capuchinho vermelho

    Era esta a alcunha de Margarida de Sousa Uva nos tempos de estudante de Germânicas na Faculdade de Letras de Lisboa, já então militante do MRPP onde viria a conhecer Durão Barroso, com quem se casou, teve três filhos e que passaria a seguir até ao fim da sua vida, esta quinta-feira, vítima de cancro. Recorde este seu perfil publicado no Expresso em março de 2002, na semana em que o marido foi indigitado primeiro-ministro