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Direção do CDS demarca-se do seu enviado ao Congresso do MPLA

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josé carlos carvalho

Adolfo Mesquita Nunes, vice-presidente do CDS, afirma ao Expresso que o partido não mudou de posição “relativamente à democracia e ao pluripartidarismo em Angola”

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

Jornalista da secção Política

A direção do CDS está "em choque" com as declarações de Hélder Amaral, o deputado que está em Luanda a representar o partido no Congresso do MPLA - a decorrer desde quarta-feira na capital angolana.

No Largo do Caldas fala-se em "excesso de voluntarismo" do parlamentar que, quarta-feira, congratulando-se por o seu partido ter sido convidado a estar presente no "primeiro de muitos congressos", afirmara que o CDS e o MPLA estão "cada vez mais próximos" e "têm tudo para que essa relação seja cada vez mais forte".

Em declarações ao Expresso, o vice-presidente do CDS, Adolfo Mesquita Nunes, fez questão de deixar claro que "o CDS não subscreve o entendimento das palavras de Hélder Amaral que presumem uma alteração das posições do partido relativamente à democracia e ao pluripartidarismo em Angola". O dirigente centrista adiantou que, a comprová-lo, está o facto de antes mesmo de o CDS confirmar a presença no Congresso do MPLA já tinha aceitado o convite para se fazer representar no congresso do CASA-CE, partido da oposição ao regime de José Eduardo dos Santos, marcado para 6,7 e 8 de setembro.

As afirmações de Hélder Amaral caíram mal nalguns sectores do partido, com José Ribeiro e Castro a liderar o protesto: "É preciso ler esta notícia. Reler outra vez. E reler de novo", escreveu o antigo líder centrista na sua página do Facebook. Admitiu ainda, com ironia, que um futuro congresso do CDS "talvez venha a contar também com a presença de delegações do Partido Comunista de Cuba, do Partido do Trabalho da Coreia do Norte, do Partido Comunista do Vietname, da FRELIMO, da Frente Polisário e do Partido Comunista da China - tudo delegações estrangeiras cuja presença em Luanda é destacada pelo influente 'Jornal de Angola' ao lado da do CDS-PP. A confraternização fraterna abrirá certamente novas relações correligionárias. Não fora a sua conhecida aversão a viajar, poderíamos mesmo contar já como assegurada a presença de Kim Jong-un a liderar a delegação do Partido do Trabalho norte-coreano".

Também o líder da Juventude Popular não poupou nas críticas a Hélder Amaral: "Há palavras que extravasam gravemente a mera cortesia e o salutar institucionalismo. Antes de serem ditas devem pensar-se. Depois de pensadas não podem ser ditas", escreveu Francisco Rodrigues dos Santos. Acrescentando: "Para o CDS e o MPLA evidenciarem hoje muitos pontos em comum, sendo ideológica e pragmaticamente a negação um do outro, algum há de ter mudado radicalmente. Observando a realidade social, económica e política de Angola, perceber-se-á imediatamente que não foi o Partido que tem governado o País desde 1975. Para que os militantes centristas não fiquem retidos no horror da dúvida, sem saberem se foi o CDS que se transformou de súbito, convém que alguém traduza esta trapalhada. Sem que ela pareça um vale tudo pelos dólares angolanos".

  • Hélder Amaral sublinhou que agora com existem “muitos mais pontos em comum” com o partido liderado por José Eduardo dos Santos e manifestou satisfação pelo primeiro convite para participar num congresso do Movimento Popular de Libertação de Angola. Paulo Portas também esteve presente