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Viana do Castelo pede ao Governo para limitar a “reflorestação de eucaliptos”

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Bombeiros de Cascais foram ajudar a combater um incêndio que deflagrou no Lugar de Samonde, na freguesia de Santa Marta em Viana do Castelo

ARMÉNIO BELO / LUSA

Autarca de Viana do Castelo diz que “perante situações excecionais, riscos excecionais, os incêndios excecionais, é urgente que haja medidas de exceção”, num apelo dirigido ao Ministério da Agricultura

O presidente da Câmara de Viana do Castelo apela ao Ministério da Agricultura para "impor limites à reflorestação de eucaliptos", depois de ter perdido 30% da área florestal do concelho nos incêndios da última semana.

Em comunicado revelado esta quarta-feira, o autarca socialista José Maria Costa explica que os fogos que fustigaram o concelho na semana passada consumiram "cerca de seis mil hectares de floresta" e que "perante situações excecionais, riscos excecionais, os incêndios excecionais, é urgente que haja medidas de exceção".

"É preciso que, de uma vez por todas, se aposte em espécies autóctones, mais resilientes ao fogo e com menos riscos para a população, para os bombeiros e para o ambiente", sustentou na nota hoje enviada.

No documento, o município explicou que o Plano Diretor Municipal (PDM) de Viana do Castelo "tem, no seu regulamento, regras orientadoras sobre o tipo de espécies arbóreas a utilizar em espaço florestal mas que não têm força impositiva", apelando ao Ministério da Agricultura para que lhes dê "força vinculativa".

A autarquia quer ainda que no "Programa de Reflorestação apresentado recentemente pelo Governo, a plantação de eucaliptos seja interditada".

A posição da Câmara da capital do Alto Minho surge na sequência de uma reunião do Gabinete Técnico Florestal para balanço dos prejuízos causados pelos incêndios.

"A velocidade de propagação dos incêndios dificultou o combate pelo facto da floresta predominante ser de eucaliptos, uma espécie altamente inflamável e cuja folhagem emite projeções a grandes distâncias e com muita intensidade, o que dificultou a defesa de pessoas e bens e permitiu o alastramento do incêndio a grandes áreas florestais", sustentou o município.

A orografia do concelho, "muito acidentada, com zonas clivosas a ultrapassar em muitos casos os 30%, associado a linhas de água" é outro dos argumentos apontados pela Câmara para sustentar o pedido feito ao Ministério da Agricultura para impor limites à "produção ou plantação de eucaliptos".