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Paulo Portas ‘regressa’ ao CDS

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Paulo Portas ‘apanhado’ a chegar à sede nacional do CDS há três semanas

José Caria

Depois de ter sido visto a entrar no Caldas, onde almoçou com Cristas, vai à “escola de quadros” do partido

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

Jornalista da secção Política

Paulo Portas está de volta ao CDS. O ex-presidente do partido vai participar na “escola de quadros” do partido, no primeiro fim de semana de setembro, num jantar-debate com o socialista António Vitorino. Os dois, ambos ex-ministros da Defesa Nacional, vão discutir com os jovens centristas “os desafios que se colocam a Portugal na nova cena internacional”. Para o antecessor de Assunção Cristas na presidência do CDS é o seu regresso a um evento partidário, seis meses depois de se ter despedido dos militantes centristas, no congresso de Gondomar.

O debate entre Portas e Vitorino é o highlight de um programa de quatro dias que leva à versão centrista da “universidade de verão”, além das suas referências partidárias, convidados socialistas, sociais-democratas e independentes. A terceira edição da “escola de quadros” realiza-se em Peniche e inicia-se à hora do jantar de 1 de setembro, quinta-feira, com um debate sobre “o futuro da Europa”, com o cabeça de lista do CDS ao Parlamento Europeu (e primeiro vice-presidente do partido) Nuno Melo e o comissário europeu para a Investigação, Ciência e Inovação, o social-democrata Carlos Moedas.

A motivação do futebol, aplicada à política

No dia seguinte, de manhã, o tema é economia e cultura: “Em que medida é que a cultura pode ajudar à economia” tem a participação de Pedro Mexia, Diogo Henriques e Francisco Mendes da Silva. Seguem-se “as eleições americanas”, com Gonçalo Castel-Branco, Raquel Vaz Pinto e o jornalista da TVI Pedro Pinto. À noite, a política envereda por outros caminhos: o convidado especial para o jantar-debate é Tomás Froes, da agência MSTF Partners, o responsável pelo plano de marketing e motivação que acompanhou a seleção nacional de futebol durante o euro 2016.

A “lógica de debates de políticas setoriais” (que levou em conta as preferências dos cerca de cem participantes) prossegue no dia seguinte com a “economia”, no singular, tema que leva a Peniche o vice-presidente do CDS, e antigo secretário de Estado do Turismo, Adolfo Mesquita Nunes, e o jornalista António Costa; à tarde é o “mar” que vai estar em discussão — com os contributos da diretora pedagógica do Colégio Pedro Arrupe e do antigo chefe de gabinete de Assunção Cristas no Governo, Duarte Bué Alves. Depois, a Educação proporciona um frente a frente entre a deputada centrista Ana Rita Bessa e a contestada ministra de Sócrates, Maria de Lurdes Rodrigues. É a primeira vez que este tema integra a agenda dos debates da “escola de quadros”, revela o organizador do evento (pelo terceiro ano consecutivo), o antigo eurodeputado Diogo Feyo, assumindo que a opção tem um forte significado político: a educação será uma das matérias consideradas mais relevantes para o CDS na rentrée parlamentar.

Apesar de não ser ‘a’ rentrée do CDS, “a escola de quadros é sempre um momento importante do nosso ano político”, explica Diogo Feyo, assumindo que estes quatro dias não são tanto uma espécie de ação de formação, mas antes um treino intensivo “de oratória e argumentação”, que tem permitido a descoberta de talentos: “Há uns que ficam logo debaixo de olho”, diz o também responsável pelo gabinete de estudos.

Almoço com Cristas

Diogo Feyo releva o facto de a iniciativa, “uma aposta da anterior direção”, não ter sido esquecida por Assunção Cristas. A “escola de quadros” encerra, ao final da manhã de domingo, 4 de setembro, com uma inter- venção da presidente do partido.

Há três semanas, Paulo Portas foi fotografado pelo Expresso a entrar na sede nacional do CDS, no antigo Largo do Caldas (hoje Largo Adelino Amaro da Costa), em Lisboa. Não era a primeira vez que ali voltava depois de ter deixado a liderança (já lá estivera para uma conferência sobre Europa organizada pela distrital de Lisboa), mas inaugurou uma série de almoços que Cristas pretende ter com antigos responsáveis do CDS.

Com o fim da coligação PSD/CDS, em novembro último, Portas entendeu que era chegado o momento de mudar de vida. Nos últimos dias de 2015 anunciou que iria deixar a liderança do CDS, o que só se concretizou em março, com o congresso que elegeu Assunção Cristas. Ainda se manteve como deputado na Assembleia da República até ao início de junho, mas, depois disso, só tem sido notícia pela sua “carreira profissional”: soube-se, poucos dias depois de renunciar ao mandato parlamentar, que tinha sido contratado pela construtora Mota-Engil como responsável pelo Conselho Internacional da empresa; há poucos dias, foi anunciado como administrador não-executivo da petrolífera mexicana Pemex. Lugares que vai acumular com o comentário regular sobre política internacional, a partir de setembro, na TVI.