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80% dos gastos são com o combate

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GREG\303\223RIO CUNHA

Gastam-se em média €99 milhões por ano a prevenir e combater incêndios. Para 2016, estão previstos €95,2 milhões no total

Os gastos com a prevenção e o combate de incêndios nos últimos seis anos custaram anualmente, em média, €99 milhões ao Estado. Cerca de 80% desse valor tem sido sempre destinado ao combate e 20% à prevenção, mostram os dados disponibilizados ao Expresso pelo Ministério da Administração Interna (MAI, a quem cabe a gestão do combate) e pelo Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural (que gere a prevenção).

Somada a previsão de gastos com a prevenção e com o combate de incêndios este ano, o total é de €95,2 milhões. Para o combate vão €75,2 milhões, um montante que poderá ainda aumentar tendo em conta “a severidade das condições meteorológicas atuais e a dimensão dos incêndios florestais”, segundo o MAI. Este valor fica abaixo do pico de €83 milhões gastos no ano negro de 2013, quando a área ardida chegou aos 152 mil hectares, e em 2015, ano em que até outubro arderam 62 mil hectares. Já do lado da prevenção, o orçamento deste ano prevê cerca de €20 milhões, o montante mais baixo desde 2012.

E faz sentido continuar a dirigir a fatia mais pequena do orçamento para a prevenção? “Se existisse a certeza de que com todos os meios financeiros investidos na prevenção não ocorreriam incêndios, é óbvio que 100% do investimento seria feito na prevenção”, responde ao Expresso Capoulas Santos, ministro da Agricultura. “Contudo, com incêndios a deflagrar às três ou quatro horas da madrugada, não há sistema preventivo que valha. Não há prevenção possível perante um tão elevado número de ignições, que só podem ter origem criminosa ou negligente. Portanto, é claro que uma fatia substancial do orçamento tem de estar alocada ao combate, que, para ser eficaz, exige meios materiais e humanos altamente dispendiosos.”

Os dados mostram que é nos meios aéreos que se concentra mais de metade dos gastos anuais em combate já desde 2008. Este ano, nessa área, preveem-se despesas de €42 milhões, abaixo dos €50 milhões gastos em 2015. Já para as equipas do dispositivo terrestre tem sido destinado menos de um terço dos gastos com combate de incêndios (€20,3 milhões previstos para este ano).