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“Os vídeos humorísticos passam mensagens sérias”

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josé caria

Entrevista a Robert Sherman, embaixador dos Estados Unidos em Portugal

Cristina Peres

Cristina Peres

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Jornalista de Internacional

José Caria

José Caria

Fotos

Fotojornalista

Os vídeos em que torce pela seleção de futebol e promove os fuzileiros navais portugueses fazem deste diplomata que veio há quase dois anos e meio para Portugal representar ao mais alto nível os Estados Unidos um fenómeno de popularidade. Robert Sherman nasceu em Boston, perto da maior comunidade de portugueses. Achava que já conhecia alguma coisa do país e não esperava “apaixonar-se pelo povo português” o que, conta, aconteceu rapidamente. Centenas de milhares de visualizações dos vídeos depois, Sherman brinca com o ter alcançado “o patamar das Kardashians”, esperando vir a ter rendimentos ao nível de Gisele Bündchen. Mais “a sério”, conta como vai usar esta arma de comunicação em massa para passar mensagens importantes.

É a primeira vez que preparo uma entrevista com um diplomata procurando vídeos no YouTube. O que acha disso?
Vejo-me como uma estrela da internet... Agora a sério, fazíamos os vídeos por diversão e descobrimos que eles permitem promover ao mesmo tempo uma mensagem séria de forma a fazer as pessoas ouvi-la. Pode ser um modelo para iniciativas futuras da embaixada, do Departamento de Estado, uma forma de todas as agências de Estado comunicarem as suas mensagens.

Acha que devem adotar o modelo?
Devem sim, tem imenso sucesso! A PSP fez um vídeo humorístico com uma mensagem séria a prevenir para os perigos do Pokémon. Nós estamos agora em contacto com a PSP porque podemos fazer passar mensagens importantes de cumprimento da lei captando o subconsciente das pessoas.

De onde surgiu a ideia deste vídeo com os fuzileiros?
Todas as boas ideias vêm do pessoal da embaixada! Eu fico com os créditos porque enfrento as câmaras, mas a verdade é que é uma bênção ter na embaixada esta equipa maravilhosa de pessoas criativas que compreendem qual é a nossa missão. Quiseram que comunicássemos de forma diferente. Depois da seleção de futebol, a sugestão foi simples: “Porque não os fuzileiros?”, uma vez que o corpo de fuzileiros dos Estados Unidos, as forças especiais da marinha americana, trabalha em colaboração estreita com os fuzileiros portugueses.

Um dos candidatos à Casa Branca denegriu o papel das forças armadas norte-americanas. Quer comentar?
Não comento factos políticos da campanha, sou um diplomata. Mas posso dizer que há tanta necessidade das forças armadas norte-americanas em todo o mundo como sempre, os EUA são um ator indispensável no mundo. Precisamos dos nossos parceiros porque as forças norte-americanas não podem fazer tudo sozinhas. E os nossos parceiros de primeira escolha são sempre da Europa. As colaborações das nossas forças especiais marines com os fuzileiros portugueses, da nossa 6ª Esquadra com a marinha portuguesa, o nosso exército com o exército português são exemplos perfeitos do que estamos a construir. Fazemo-lo porque os militares portugueses são de primeira água. Foi essa mensagem que quis passar no vídeo com os fuzileiros.

Qual é a sua impressão de Portugal?
Acho que é um grande país com um grande potencial. Há gente nova cheia de energia a desenvolver projetos em áreas como a biotecnologia e as ciências vivas. Há produtos maravilhosos neste país, sapatos, têxteis, cerâmicas, tecidos, produtos agrícolas, obviamente o vinho... Vejo grande potencial em Portugal e só é preciso o povo português aperceber-se de que é tão bom como qualquer outro. O maior obstáculo não tem sido a crise económica mas a crise de confiança do povo português. Isso está a mudar com as novas gerações, os mais novos não são tão relutantes em arriscar e experimentar coisas novas.

Aproximámo-nos dos EUA vez na categoria da fuga de cérebros. Foi por coragem?
Por uma questão de oportunidade. Os portugueses partem em busca de oportunidades, mas assim que podem voltar é o que fazem, colaborando na mudança da economia nacional seja por via da agricultura ou da tecnologia. Como embaixador dos EUA, posso casar a inovação portuguesa com o capital americano. É bom para ambos os países.