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Cristas quer reabrir capela do Caldas

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A última vez que se celebrou uma eucaristia na capela foi num aniversário da morte de Amaro da Costa

osé caria

Líder do CDS falou com o Patriarcado sobre o acesso dos católicos à capela e ao quarto do Padre Cruz, ambos na sede do partido

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

Sabia que a sede do CDS, num antigo palacete no Largo do Caldas (há anos rebatizado Largo Adelino Amaro da Costa), encerra uma capela barroca, com talha dourada e azulejos oitocentistas, e o quarto do Padre Cruz, que é lugar de peregrinação para muitos católicos lisboetas? Não é exatamente um segredo bem guardado, mas por vontade de Assunção Cristas ambos os espaços terão no futuro um acesso mais facilitado e regular, seja para a celebração de eucaristias na capela, seja para o culto do Padre Cruz na assoalhada onde morreu, em 1948, este sacerdote com fama popular de santidade.

O velho edifício da família Caldas, que serve de sede ao CDS desde 1974, pertence ao Patriarcado de Lisboa, com quem Assunção Cristas está em conversações. A presidente do CDS confirmou ao Expresso que, logo no início do seu mandato, levantou num encontro com o cardeal-patriarca, D. Manuel Clemente, a questão do uso da capela e das visitas ao quarto do Padre Cruz. “Propus que fosse feito um protocolo para a capela ser gerida pela paróquia e pelo patriarcado. Queremos devolvê-la para poder ser utilizada para culto e para fins culturais”, explica Cristas. O espaço só teve obras de conservação no início dos anos 80 e é notória a degradação do teto e de alguns azulejos. Só muito raramente é usado para celebrações religiosas. Ao Expresso, o Patriarcado não confirmou que o assunto esteja a ser analisado ou que o processo de abertura da capela ao culto esteja formalmente aberto pelas instâncias eclesiásticas.

Quanto ao quarto do Padre Cruz, que é mantido alegadamente tal como estava quando o religioso faleceu, o desejo da líder centrista é “tornar possível visitas mais regulares, e de forma mais normal”, sem que seja preciso a autorização do CDS — para tal, o acesso, que atualmente se faz atravessando a sede do partido, poderia fazer-se de forma independente. “Trata-se de uma figura relevante para a cidade de Lisboa”, sublinha Cristas, notando que todas as semanas há gente a dirigir-se à sede do partido para visitar a assoalhada, no segundo andar.